Exemplo do que não se deve fazer

leitura

Sei que pode soar como uma heresia literária criticar Fernando Pessoa. Mas estou realmente achando que farei uma série “Heresia Literária”, porque depois que você lê um determinado número de livros e vive um determinado número de anos, passa a não fazer mais sentido ficar enaltecendo os caras só porque eles são ícones literários. São seres humanos, afinal. São pessoas. Falhas. Cheias de erros. E se escreviam bem e acertavam na literatura (afinal de contas, a literatura não exige que as coisas nos façam bem, apenas que nos soem bem), erravam — e muito — na vida e nos pensamentos. O problema de ninguém admitir isso e ninguém falar sobre isso é que depois lá estão as pessoas sem muita coisa na cabeça a encher suas caixas cranianas de palavras da depressão, da esquizofrenia ou da neurossífilis dos outros, que até hoje ressoam nas linhas que eles escreveram.

Encontrei uma antiga anotação minha sobre o poema “Aniversário”, de Fernando Pessoa (assinado pelo heterônimo “Álvaro de Campos”), e gostaria de compartilhar com vocês. Eu costumava gostar desse texto, mas quanto mais o tempo passa, mais se afasta o tempo da antiga casa, da antiga configuração familiar, mais eu o abomino enquanto conteúdo, porque exemplifica tudo o que não deve ser alimentado.

Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu era feliz e ninguém estava morto.

Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,

E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,

De ser inteligente para entre a família,

E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.

Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.

Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,

O que fui de coração e parentesco.

O que fui de serões de meia-província,

O que fui de amarem-me e eu ser menino,

O que fui – ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…

A que distância!…

(Nem o acho…)

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,

Pondo grelado nas paredes…

O que sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),

O que sou hoje é terem vendido a casa,

É terem morrido todos,

É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…

Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!

Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,

Por uma viagem metafísica e carnal,

Com uma dualidade de eu para mim…

Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui…

A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,

O aparador com muitas coisas – doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado -,

As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…

Pára, meu coração!

Não penses! Deixa o pensar na cabeça!

Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!

Hoje já não faço anos.

Duro.

Somam-se-me dias.

Serei velho quando o for.

Mais nada.

Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…”

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Para que ficar lamentando o passado ou o arrastando a cada novo aniversário? Sei que é Pessoa, mas a poesia é o retrato do que não se deve fazer. É o tipo de coisa de que eu gostava no auge da depressão e que não traz nenhuma energia positiva.

“Pára, meu coração! Não penses! Deixa o pensar na cabeça!” É o grito do desespero de quem percebe estar conversando inutilmente com seus sentimentos (já tinha gremlin naquela época). Não adianta só mandar o coração parar de pensar, meu amigo, é você que está desenvolvendo todo o raciocínio sugerido pelo primeiro sentimento que passou no seu coração. Você pegou o barco do sentimento e saiu navegando pelo rio gosmento da nostalgia por conta própria. Na época da depressão, quando eu era adolescente, passava madrugadas inteiras nessa viagem autodestrutiva. E terminava chorando por horas, convulsivamente, porque não sabia como sair daquele inferno.

O espírito dessa poesia não é positivo.  “O que sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa”? “Hoje já não faço anos. Duro.”? “Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira”? Abra as janelas, deixe o sol entrar, jogue fora essa bagagem que só pesa, das coisas não roubadas, que, mesmo assim, apodrecem na memória. A vida muda, são ciclos, são fases. A infância passou e que bom se foi boa. Se não foi, que bom que passou.

O ovinho da depressão foi chocado desde a minha infância. Eu era feliz e saltitante, mas dramática e nostálgica. Lembro de, aos 6 anos, me sentir velha e pensar que bom mesmo era quando eu tinha 4 anos e não tinha as angústias que eu já tinha do alto dos meus quase 7. E assim foi até os 22. Aos 10 eu sofria pelos 7, quando eu era feliz e não sabia. Aos 12 eu tinha saudade dos 10, esse sim, um tempo bom que não voltava mais. Ao fazer 15, eu me senti idosa e tudo o que eu queria era voltar aos 12. Aos 17, eu sentia falta dos 15, e jurava que faria tudo diferente se pudesse voltar. Aos 18 e 19 eu vivi a profunda viuvez pelos 17, porque achava que minha vida tinha acabado naquele ano. Foi o pior período da depressão. Aos 21, já recuperada, tinha raiva de mim mesma por não ter aproveitado os 18 e 19. Aos 22, meu pai morreu, minha vida virou de cabeça para baixo e decidi, como método de sobrevivência, me agarrar à fé, olhar para a frente e nunca mais olhar para trás. O passado passou, fecho a porta e ainda que minha mente precise voltar para recuperar algum dado, não permito ao meu coração voltar lá. 

Não olhe para trás, nem um dia. Já conheci gente que se destruiu por ficar uma noite inteira sem dormir, pensando no que já foi, ouvindo discurso demoníaco do filmezinho das lembranças do passado. Caiu de tal jeito que não se levantou mais. Não vale a pena. 

Vivi muitos anos na “vibe” dessa poesia, sofrendo pelo que não existe mais e me arrastando pela vida. Hoje, entendo que a vida são quartos sequenciais. Após passarmos por um, abrimos uma nova porta para entrarmos em outro e devemos fechar a porta para seguir em frente, carregando conosco só os sentimentos bons e as coisas que aprendemos. O quarto anterior ficou para trás e o quarto em que estamos sempre tem coisas fantásticas que jamais serão devidamente exploradas se não fecharmos a porta.

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PS. Eu sei que o acordo ortográfico manda tirar o acento diferencial de “pára”, mas optei conscientemente por não fazê-lo. O blog é meu e eu uso a convenção que quiser rs.

PS2. Como parte do meu projeto 2020 para atualizações do blog, vou começar a fazer posts mais curtos, voltar a falar sobre livros, sobre leitura e conversar com vocês por aqui, na medida do possível. :)

PS3. Obrigada pelas orações e pelo carinho que vocês têm demonstrado por mim. Eu creio na força de uma corrente de oração por um objetivo. Muito pode, por sua eficácia, a oração de um justo. Imagina de vários! Vamos juntos nessa fé! Espero poder dar boas notícias com relação à minha recuperação física ainda neste primeiro semestre. :)

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Sobre a saída de pastores (Perguntas dos leitores, Parte 2)

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Samara Brion – Gostaria que falasse sobre saída de pastores do nosso meio. 

Vejo como natural. Já tinha maluco saindo da obra na época de Jesus, a ponto de Ele chegar a perguntar para os discípulos: “e vocês? Também vão sair?” olha só:

“Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com Ele. Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente. Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo. E isto dizia ele de Judas Iscariotes, filho de Simão; porque este o havia de entregar, sendo um dos doze.”

(João 6.66-71)

Note que a Bíblia diz que “MUITOS dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com Ele”. Isso não depõe contra o ministério de Jesus, apenas contra os malucos que saíram. Na época dos apóstolos, depois que Jesus ressuscitou, também era frequente a deserção. O apóstolo Paulo reclama disso várias vezes nas cartas, às vezes citando nomes. Gente é um negócio complicado, onde tem gente, tem problema, porque cada um tem uma cabeça, as pessoas fazem escolhas estúpidas e criam situações que não deveriam existir. 

 Na igreja sempre teve isso, desde a época de Jesus, a diferença é que agora temos a internet, ficamos sabendo das coisas muito rapidamente e dá a impressão de que os casos estão em maior número ou mais frequentes, mas é só impressão. Antes a gente ficava sabendo só quando alguém contava e, às vezes, anos depois…sim, eu vivi a era pré-internet #TiaVanessaÉumDinossauro. E mesmo nos primórdios da internet, as coisas demoravam a se espalhar. Hoje, com as fake news a galope nas redes sociais, as coisas às vezes se espalham antes mesmo de acontecer rs.

E tem o pessoal da agência de marketing do inferno que adora juntar esses casos (e inventar mais uns outros) para parecer que estão saindo mais pastores que antes, o que é uma estratégia. Se falam “muitos casos” ou em “aumento de casos”, citando um punhado de nomes, as pessoas tendem a repetir isso como se fosse verdade, mas é falta de pensar. Citando o livro “Rápido e devagar”, na parte que fala sobre heurística da disponibilidade: “As pessoas tendem a estimar a importância relativa das questões pela facilidade com que são puxadas da memória — e isso é amplamente determinado pela extensão da cobertura na mídia. Tópicos mencionados com frequência ocupam a mente mesmo quando outros fogem à consciência.”,  no caso em questão, quanto mais se fala sobre alguém ter saído (e a fofoca faz o papel de “mídia”, mas no nosso caso além da fofoca às vezes tem a mídia mesmo), maior parece a questão, como se os casos fossem mais frequentes porque estamos ouvindo falar mais neles. A estratégia de maketing do inferno é juntar casos não relacionados e alardear como se isso fosse indicativo de alguma coisa, mas é só isso mesmo, estratégia de manipulação (de haters que querem ganhar relevância). 

O que me lembra um trecho de outro livro, com o sugestivo nome de “Como mentir com estatística”, que escancara algumas estratégias de manipulação de dados: “Morreram mais pessoas em aviões no ano passado do que em 1910. Portanto, os aviões modernos seriam mais perigosos? Isso não faz o menor sentido. O número de pessoas que pegam aviões hoje em dia é centenas de vezes maior, só isso”. Da mesma forma, juntar, sei lá, cinco ou dez casos de pastores que saíram e tentar criar alguma celeuma com relação a isso, ignorando o fato de que hoje as informações chegam a nós com muito mais rapidez e que a igreja está absurdamente maior do que poucos anos atrás e, portanto, tais casos são estatisticamente irrelevantes (assim como desprezar inúmeros outros fatores envolvidos em cada um dos casos) é, no mínimo, desonestidade intelectual.

O que acho importante dizer — essencial, na verdade — é que, dependendo da conversa, a gente não deveria sequer se interessar por esse tipo de assunto. Sério mesmo. Eu não gosto de perder tempo com conversa sobre se pastor x saiu, se bispo y está de banco, porque é um modo muito rasteiro de se lidar com as coisas da igreja. Não sei se me faço entender. Igreja não é clube, não é grupinho (principalmente a Universal), os pastores estão fazendo um trabalho sério, focado em ajudar as pessoas, Deus fala comigo lá dentro, vou buscar a orientação dEle e prestar meu culto a Ele, ninguém tem tempo para gastar com fofoca porque a qualquer hora a gente pode morrer ou Jesus pode voltar e a gente tem de estar bem para subir com Ele. Esse é o tipo de coisa que surge para desviar a atenção.

Ter ficado com tão pouca energia física e mental me ensinou a não desperdiçar energia e tempo com o que não acrescenta. É como se você fosse um celular com 4% de bateria. Em que você gastaria? A gente tem de aprender a alocar nossos recursos no que realmente dá retorno. Nossa bateria espiritual é um recurso preciosíssimo que pode se gastar facilmente se ficarmos perdendo tempo com coisas “de baixo”. A diferença entre a bateria espiritual e a física é que a gente não sente quando gasta. Se não cuidarmos racionalmente da nossa bateria espiritual, de modo intencional e consciente, ela vai enfraquecendo e só perceberemos quando ela estiver zerada — ou nem perceberemos,  algumas pessoas entram em “coma espiritual” sem nem se darem conta. Então, é melhor tomar cuidado redobrado.

É mais ou menos o que ensina o apóstolo Paulo, em Colossenses 3: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra”. Eu tenho dedicado meu tempo a pensar nas coisas que são de cima. O tempo que dedicaria a ficar debatendo a vida de quem saiu é o mesmo tempo que eu tenho para meditar na Palavra de Deus, trabalhar nas mudanças que tenho a fazer no meu interior ou ajudar alguém que está precisando. A dica é: mantenha distância de quem se aproxima só para conjecturar a respeito da vida de alguém da igreja (seja pastor ou não, tenha saído ou não), como se falasse de alguma celebridade. Na verdade, mantenha distância de quem fica falando da vida alheia, em geral.

É claro que fico chateada quando vejo algum bispo ou pastor de quem eu gostava saindo da obra. Sei que esse tipo de coisa não acontece de uma hora para outra (se você ainda não leu o livro “O Resgate”, do Bp. Sérgio Corrêa, leia, porque ele explica direitinho isso) e coloco minhas barbas de molho, porque se eles, que estavam há tanto tempo no Altar, foram enrolados assim, o que sobra para mim? É mais uma prova de que não dá para bobear e não dá para perder tempo com fofoquinha, ressentimento, inutilidades e coisas do tipo. O segredo para se manter sempre firme na fé é permanecer focado nas coisas do alto, seguindo a ética da Palavra de Deus, buscando a Ele sempre com sinceridade e humildade. Quem seguir isso, vai orar por quem saiu, e seguir em frente, olhando sempre para onde deve olhar: para cima. 

E fica o alerta:

“Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento.”

(1 Coríntios 14.20)

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PS. A resposta acabou ocupando um post inteiro, então coloquei sozinha aqui, depois vem a parte 3, com mais perguntas e respostas. Próximos assuntos: fé, gremlins e livros :)

Perguntas dos leitores, parte 1

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Vinícius Silveira – Lembro-me de em alguns posts você falar sobre um certo cansaço que sentia. Já eram sinais ou eles apareceram de uma hora pra outra?

V – Não posso afirmar, pois não sei qual foi o post, mas é muito provável que já fossem sinais (a menos que tenha sido algum cansaço natural, justificado, por eu ter feito alguma coisa realmente cansativa rs). Os sintomas foram aumentando gradualmente, tive períodos de melhora e piora, mas consigo identificá-los claramente a partir de 2006, que foi quando a saúde começou a se deteriorar lentamente (mas sempre dava para atribuir a alguma outra coisa, como problemas hormonais, falta de água, estresse — perdi a conta de quantos médicos disseram que era estresse… — cada hora alguém sugeria uma causa diferente, eu tratava, melhorava um pouco e depois piorava de novo. Às vezes tinha outro problema associado, melhorava o problema associado e eu ficava na ilusão de estar melhor). 

De 2014 para cá a piora foi progressiva, até chegar a um ponto que não consegui mais segurar sozinha e nada que eu fazia era capaz de melhorar (isso no final de 2017). Essa piora maior a partir de 2014 se deu quando me senti mal na academia e fui ao cardiologista, que me pediu vários exames e orientou a suspender a atividade física enquanto não descobríssemos o que era… Suspendi a atividade física, fiquei super sedentária e meu quadro piorou (porque disautonomia piora com inatividade). Agora preciso voltar a conseguir fazer exercícios, porque isso vai me ajudar a melhorar.

Aliás, acho que o problema todo foi justamente a piora não ter sido de uma hora para outra. Como foi gradual, fui me adaptando às limitações e demorei para perceber que tinha alguma coisa séria acontecendo. Aliás, isso é meio padrão na vida, pensa bem, se o problema vem de uma vez, de uma hora para outra, a gente se assusta e procura ajuda. Mas se a água da panela vai esquentando lentamente, quando a gente vai ver, já está cozido. Por isso nossa tolerância a situações ruins não pode ser muito elástica. Não dá para ir “empurrando com a barriga” alguma coisa que você percebe que está te prejudicando. 

Camila Gomes – Você já nasceu com alguma doença ou desenvolveu depois de adulta? Ou já tinha e os sintomas começaram a aparecer nos últimos anos? 

V – Então, resposta complicada rs. É um problema que já existia, mas que só se manifestou como “doença” depois. Eu não sabia, mas nasci com uma mutação em um gene que faz a síntese do colágeno. O colageno é a “cola” do corpo, e o meu é defeituoso, o que faz o corpo ser mais frágil. Na verdade, ninguém sabe direito ainda como é o mecanismo que leva essa mutação a desenvolver todas as complicações que ela pode desenvolver (a tal Síndrome de Ehlers-Danlos), e como é algo que está no corpo todo, pode piorar mais uma função e menos a outra, variando de pessoa para pessoa. No meu caso, existe até a possibilidade de que a cardiopatia que eu tive ao nascer esteja ligada à disfunção autonômica e ao problema do colágeno, ou seja, a doença poderia estar presente desde que eu nasci, mas ninguém sabia. 

Hoje consigo identificá-la em vários pontos da minha vida: no cansaço fácil do qual eu reclamava em praticamente todos os meus cadernos (piorando a partir dos 14 anos), nos formigamentos das pernas, nas dores das mãos (que me levavam a imobilizá-las várias vezes e me fizeram escrever com as duas), na falta de sede, na falta de fome, em vários problemas durante a vida que os médicos não identificavam. Muitas coisas eu sequer achava que eram sintomas. E me acostumei a sempre me forçar além dos meus limites para fazer alguma coisa, ou nunca faria nada, porque me canso muito antes das pessoas normais. 

Resultado: eu tinha muito mais resistência a trabalhar exausta, e ninguém percebia, o que paradoxalmente fez de mim uma pessoa mais forte rs. É meio parecido com o que o Bp. Renato disse esses dias, sobre tempos difíceis fazerem pessoas fortes. No meu caso, as dificuldades me fizeram mais forte por dentro e por fora, e creio que recuperarei essa força exterior em breve. E é verdade: quando as coisas são mais difíceis, quando as outras pessoas não levam suas dificuldades a sério e quase ninguém te dá apoio, você acaba tendo duas opções a escolher: ou fica se vitimizando e fazendo drama, se sentindo “a injustiçada” e sofrendo; ou se levanta, aprende a confiar em Deus e fica mais forte. Não dá para viver muito tempo nessa primeira opção (ao menos não quando você quer VIVER, de verdade), então a gente fica mais forte e deixa de se permitir ser colocada como vítima das circunstâncias. 

Samara Brion – Gostaria de saber quais sintomas sente, quando descobriu a doença.

V – Os sintomas principais da disautonomia, no meu caso, são: fadiga incapacitante (sensação de exaustão física) mesmo deitada, sonolência (geralmente causada por pressão baixa ou frequência cardíaca baixa), cansaço absurdo quando estou em pé (como se subisse uma montanha), gastroparesia (a digestão simplesmente para. Eu já cheguei a vomitar à noite o que tinha comido de manhã ou no dia anterior – eca). Brain fog (“névoa cerebral”: falta de concentração, raciocínio lento, dificuldade de encontrar palavras, cansaço mental…nesses dias eu tento ficar longe da internet, para não ficar escrevendo “unicóórnio” nas redes sociais hahaha), estase venosa (acúmulo de sangue nas extremidades, principalmente nos pés e pernas quando em pé, chegam a ficar vermelhos ou arroxeados, por isso uso meias elásticas), falta de equilíbrio (um dos motivos de eu estar usando um bastão de caminhada, tipo o cajado de Moisés rs). Mas tenho dias bons, em que essas coisas todas estão mais atenuadas e consigo sair de casa.

E os sintomas que são usados como critério diagnóstico para POTS (o tipo de disautonomia em questão): frequência cardíaca em pé sobe mais de 30 batimentos por minuto e se mantém assim nos primeiros 10 minutos. Por exemplo, em repouso costuma estar em torno de 55, em pé pula para 120 e não diminui. Isso não é normal e mostra uma disfunção autonômica (disautonomia), porque o sistema nervoso autônomo é a parte do sistema nervoso que regula as funções automáticas do corpo (como frequência cardíaca, pressão, circulação, digestão, respiração…). O normal é um aumento de uns 10 batimentos por minuto, por exemplo, a pessoa em repouso está com 60bpm e em pé vai a 70 bpm. 

Investigo esses sintomas desde 2014, mas o diagnóstico só veio no final de 2017, mesmo com o tilt test (exame capaz de detectar) positivo desde 2015… (cardiologista “muito bom” #sqn que eu tinha não entendia nada)

Gabriela Alves – Com a doença, você deu um tempo no trabalho?

V – Sim, infelizmente. No final de 2018 (antes das eleições), acabou a bateria de vez e tive que parar. Ainda não estou conseguindo fazer a mesma coisa todos os dias, gastar energia mental e física em produção de textos argumentativos com pesquisa, edição de texto de outros autores (o que exige um trabalho absurdo de atenção, porque a responsabilidade é grande) e avaliação de conteúdo, que é outro trabalho bem complexo e detalhado. Mas estou melhorando e sei que logo vou conseguir ter condições de voltar. Aliás, justamente por isso estou me forçando a escrever mais, a estudar, a postar no blog… 

Gabriela Alves – Como é sua rotina?

V – Entendo “rotina” como um conjunto de coisas que as pessoas fazem todos os dias em horários pré-definidos, é isso? Ainda não consigo ter isso, porque tudo depende de como estou no dia. Mas estou tentando fazer uma. Por favor, me explique o que as pessoas querem saber quando me perguntam isso. É sério, sempre me perguntam e eu não sei responder, por favor, me ajude, detalhe um pouquinho mais rs. 

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PS1. Acho que a grande utilidade de falar sobre essas doenças é deixar mais forte o testemunho quando eu me livrar delas, afinal de contas, vocês acompanharam o horror, serão minhas testemunhas da vitória. :) 

PS2. A disautonomia não é exclusividade da síndrome de Ehlers-Danlos, ela pode vir também como consequência de outras doenças, até de algumas mais comuns, como diabetes e esclerose múltipla (que é rara, mas é mais comum que SED, ou ao menos mais diagnosticada). E pode acontecer em idosos, pela própria idade mesmo. Pode aparecer como sequela de uma virose forte ou mesmo de uma cirurgia. Eu costumo dizer que é como um mau contato na fiação. Tem gente que consegue ter uma vida quase normal com ela, tem gente que está mais esgualepada que eu. Tudo depende do nível de comprometimento. A maioria das informações úteis está em inglês, inclusive uns banners informativos do Facebook da Dysautonomia International, que seria algo muito útil de ter em português, mas aos poucos as coisas vão chegando.

Se alguém quiser links em português sobre o assunto, esse fala sobre a POTS https://sobrepots.blogspot.com/2017/10/sindrome-da-taquicardia-postural.html  Este é sobre as adaptações de estilo de vida que costumam melhorar o quadro (ou evitar coisas que pioram) https://sobrepots.blogspot.com/2017/09/adaptacoes-de-estilo-de-vida-para-pots.html 

PS3. Sobre a SED, essa matéria com a história das irmãs Julia e Luana talvez exemplifique melhor toda a complicação e a questão da falta de médicos especializados no Brasil. O tipo delas é mais grave porque pode causar ruptura de órgãos e aneurismas, levando à morte, mas fora isso os sintomas no geral são bem semelhantes. https://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/saude-e-bem-estar/irmas-sindrome-ehlers-danlos-lutam-contra-preconceito/ É uma doença muito esquisita, convenhamos.

PS4. Fiz um post com cara de entrevista, pinçando só as perguntas dos comentários de vocês, mas li tudo que vocês escreveram, tá? 

PS5: Daqui a pouco coloco a parte 2, depois a parte 3… os próximos assuntos são: saída de pastores, fé, gremlins e livros. 😀

PS6: Fiz algumas pequenas edições nos comentários: Recortei só as perguntas, para ficar com cara de entrevista, e quem fez mais de uma pergunta, elas vão aparecer separadas, não briguem comigo rs. E troquei os “senhora” por “você”, para uniformizar. :)

PS7. Se alguém tiver mais alguma pergunta, fique à vontade para fazer. :) 

Pedido aos leitores e amigos

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Encontrei esta foto de janeiro do ano passado. Hoje eu não estava fotografável, posso colocar uma “imagem meramente ilustrativa” quando for assim? 😄

Hoje, bastante dor, dia bem sintomático, mas não vou discorrer a respeito, para não dar muita atenção ao que não merece atenção.

Percebi que nem todo mundo está entendendo o que está acontecendo na minha vida nesses últimos anos. Eu queria ter feito um post específico explicando tudo, mas acabei não fazendo e agora não sei o que as pessoas sabem e o que não rs. Em vez de ficar preparando mil posts que talvez eu nem consiga fazer sobre o assunto, tentando adivinhar o que vocês precisam saber, achei melhor pedir para vocês enviarem perguntas nos comentários (aqui ou nas redes sociais, tanto faz. Só não tenho lido as mensagens privadas, mas os comentários eu leio todos), para que eu responda tudo em um post só, como se fosse uma entrevista ou um grande e-mail para “azamiga”.

O que acham? Será que dá certo? Aí a gente mata esse assunto de vez e consegue dar continuidade ao blog sem essa sensação de que estou me repetindo ou dizendo algo que não interessa a ninguém. Pode ser sobre outros assuntos também, principalmente perguntas que permitam respostas relativamente curtas ou menos elaboradas (se precisar de resposta muito longa, transformo em livro, aí demora mais rs). 

E fiquem à vontade para dar sugestões de conteúdo, estou sempre aberta a ideias. 

Então…enviem suas perguntas, caso as tenham. Vamos montar um (ou mais de um) post participativo, tipo entrevista doida/mesa redonda diferentona, para ver se consigo organizar esse negócio.

Mega feliz por poder voltar ao blog e ler os comentários das pessoas. Vocês dizem que sentem como se eu fosse uma amiga, mas posso dizer que a recíproca é verdadeira, também sinto como se fosse amiga de vocês, como se conhecesse cada um que comenta. Reconheço os nomes e os endereços de e-mail, amo a inteligência, a sinceridade e o senso de humor que transparecem nos comentários e acho que tenho o melhor grupo de leitores de toda a internet! Pessoas que se divertem lendo meus textos infinitos já se pré-selecionaram como pessoas especiais e diferenciadas hahahaha. Tão ETs como eu, com certeza! Eu fico falando sozinha enquanto leio seus comentários, respondendo, argumentando e batendo papo rs. (tanto que às vezes até acho que já respondi, é um problema.) E vocês estão sempre nas minhas orações! 

Por isso acho que essa ideia dos posts interativos/entrevistas pode ser algo divertido. Bem, já dei a ideia, me digam o que acham! 

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PS. Só para saber: todo mundo que vem aqui já me segue no Instagram? ( https://www.instagram.com/vanessalampert/) Estou tentando manter alguma atividade por lá também, nesse propósito de “mexer o esqueleto” literário-social para tentar sair da caverna metafórica (porque não se acende uma lâmpada para colocar embaixo da cama, né?).

PS2. Estejam cientes de que essa ideia maluca é um desafio para mim. Mas como parece ser uma ideia divertida, acho que vale encarar o desafio. 😛

A bênção da faxina

 

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Depois de três dias complicados, de hipotensão, bradicardia, arritmia, pouca movimentação, cansaço absurdo e sensação de que carreguei um rinoceronte ladeira acima, consegui ter força suficiente para limpar as caixas de areia, passar aspirador e MOP na casa. E isso merece ser registrado. Antes eu tinha um dia bom a cada duas semanas. Agora, um dia bom por semana (ou, como hoje, umas quatro horas bem boas, antes de precisar me deitar novamente). Minha meta é chegar a ter 7 dias bons por semana. 😃 


Passei aqui para te lembrar de valorizar a sua capacidade de varrer a casa, da próxima vez que tiver que fazer isso rs. Em vez de reclamar por fazer o serviço doméstico, que tal agradecer por você ter força e saúde para fazer isso? Reclamar menos, agradecer mais. Reclamar menos, valorizar mais. Ninguém melhorou a vida por meio de reclamação. 

Isso me lembra de algo que li no livro A Mulher V algum tempo atrás, no capítulo sobre Apreciação. Ela comentava sobre como algumas mulheres passam tanto tempo querendo casamento, casa, marido, filhos, independência, etc. Mas depois que conseguem, não demoram a reclamar e desprezar aquelas coisas que diziam tanto querer. Tudo se torna um fardo, como se cuidar da casa fosse algo de menor valor. É a SUA CASA, que graças a Deus você tem! É o seu território, o pequeno espaço do universo que é de responsabilidade sua (isso vale para o seu quarto também, se você for solteiro). Poder fazer uma faxina é uma bênção.

Fala a verdade, você nunca pensou nisso, né? Nunca pensou que fazer faxina é uma bênção. Sinal de que você tem um cantinho para chamar de seu, sinal de que você tem disposição e força física (ainda que chegue cansada do trabalho, o cansaço normal NÃO SE COMPARA à fadiga de alguém que está doente, com problema cardíaco ou neurológico, vá por mim, é como se você passasse uma semana sem dormir e carregando saco de cimento), sinal de que você tem saúde.

E se você ainda não tem saúde, força ou disposição, espero que já saiba valorizar os momentos em que essas coisas dão o ar da graça — e isso acontecerá com mais frequência. Elas davam menos o ar da graça quando eu, por me sentir fisicamente mal, vivia estressada e me forçando mais do que eu aguentava, para ver se conseguia fazer pelo menos o mínimo aceitável. Vivia me cobrando, como se a culpa por tudo ser tão difícil fosse minha. Tive que mudar minha cabeça primeiro, para que meu corpo pudesse começar a reagir. 

Então, comece a olhar diferente para aquilo que te irrita e as coisas vão ficar bem mais leves. 😉 

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PS. Os bispos subindo o Sinai e eu limpando a casa, o que, para mim, é bem semelhante em nível de sacrifício e fé! 😃

PS2. Desculpe pelo look do dia. Resolução de ano novo era voltar a escrever e mostrar mais do meu dia a dia, o que eventualmente pode envolver zero glamour e look “Maria da limpeza”. 😄

*Post ampliado do original do instagram @vanessalampert
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#ReclameMenos #PorUmMundoSemReclamação #PareDeReclamar #ÉvocêQueEscolheEmQueVaiColocarSuaAtenção #FocoNasPequenasVitórias #CadaFaxinaÉUmaVitória 

Sobre quem você realmente é

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Comecei a colocar algumas coisas do meu dia a dia no Instagram, e escreverei também aqui no blog, porque preciso que você entenda que o nosso modo de pensar tem maior responsabilidade sobre nosso emocional do que as circunstâncias, em si. As pessoas tendem a achar que só dá para ser feliz quando tudo está dando certo, a ponto de estranharem eu estar doente, sorrindo e brincando. Mas a felicidade e a paz interior não podem depender das circunstâncias externas (mesmo quando esse “externo” é o seu corpo rs). 

Não, você não vai me ver triste e sorumbática por estar me sentindo mal, não porque eu esconda ou disfarce, mas simplesmente porque o que acontece por fora não afeta meu estado de espírito. Momentos de tristeza podem acontecer, mas são pontuais e passam muito rápido; meu estado basal é alegria, mesmo quando me sinto cansada, exausta fisicamente  ou mentalmente. 

Esse milagre não é meu, não é da minha natureza. Esse milagre é do Espírito de Deus, que mudou minha natureza dramática em uma natureza de estabilidade e força. Na verdade, ele consertou um desvio de percurso e, à medida que me fez mais parecida com Ele, também me fez mais parecida com como eu deveria ter sido, originalmente. Minha primeira experiência com doença, na primeira infância, não foi tão diferente dessa. Nasci com uma cardiopatia chamada Persistência do Canal Arterial. O Canal Arterial (que também atende pelo pomposo nome de Ductus Arteriosus), é um canal que liga a artéria pulmonar à aorta e é indispensável à vida do feto, mas fecha nas primeiras 48 horas do nascimento. O meu, não fechou, causando sintomas que se agravaram aos dois anos, até os quatro, quando operei, já com hipertensão pulmonar. Eu me sentia muito mal, mas brincava, corria (desmaiava, mas depois levantava e seguia a vida). 

Fiz a cirurgia e no pós operatório os curativos eram chatinhos, mas não dava bola para aquilo, estava mais interessada no que acontecia ao meu redor. A comida do hospital adventista era gostosa e eles me davam gelatina, pêra e suco de uva. A fisioterapia respiratória era feita assoprando uma luva de procedimento (tempos pré-respiron rs), que o fisioterapeuta insistia que era um balão — e eu sabia que não era. Todo mundo era legal e me tratava bem. Fiquei com memória afetiva de hospital (que já perdi depois que fiquei UM MÊS com meu marido internado em Porto Alegre) e minha visão estava lá na frente, no fato de que eu iria conseguir brincar e correr sem perder o fôlego e sem desmaiar. E faria natação, meu sonho! (sonho, até eu começar a fazer rs.)

É claro que o fato de a minha mãe estar sempre calma também ajudou. Nunca a vi se desesperar, nunca a vi chorando ou agindo como se eu fosse morrer. Ela me entregou para Deus e entendeu que estava nas mãos dEle. Tinha certeza de que eu iria ficar bem e decidiu (conscientemente) viver um dia de cada vez, lidando com as situações no momento em que aconteciam, sem ficar antecipando os problemas (o contrário do que eu fiz na maior parte da minha vida). Teria sido mais difícil ficar tranquila se ela fosse uma pessoa histérica, mas acho que teria conseguido, eu realmente não era dramática nesse tempo (intensa, mas não dramática). Depois da cirurgia, fiquei com uma cicatriz enorme nas costas e logo já encontrei um modo de atribuir a ela valor positivo: Só eu tinha aquela cicatriz, o que fazia com que minhas costas fossem testemunhas de algo único!

Então, eu meio que já tinha essa forma tranquila de ver a vida, a confiança que as crianças de quatro anos têm. Deus resgatou em mim algo que já tinha sido soterrado pela insegurança, medo e dúvida que foram jogados na minha cabeça pelos gremlins da vida no decorrer dos anos. Às vezes o que você acha que é da sua natureza, à qual se agarra com tanta força por achar que é da sua “essência”, nada mais é do que um punhado de porcaria que se colou em você muito cedo. Por isso a gente precisa entregar todo o nosso eu para Deus, todo o nosso jeito, todas as nossas reações, nossas vontades, nossas opiniões e padrões de pensamento, sem medo, para que Ele decida o que fica e o que sai. Porque, sejamos honestos, ninguém se conhece tão bem assim para dizer o que é natural e o que foi construído. No fim das contas, só Deus sabe o que é nosso e o que é lixo.

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PS. A foto foi tirada em uma apresentação do jardim de infância, no ano da cirurgia. Vanessinha vestida de baiana. Mas esse bronzeado aí é fake news, a foto é saturada assim e eu não quis alterar no photoshop antes de postar.

PS2. Espero que minha ausência prolongada não tenha causado danos cerebrais irreversíveis em ninguém (nem em mim rs). 

O domingo foi assim

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* O domingo foi assim. Hipotensão, “dor em cabide”, fadiga, dor miofascial, intolerância ortostática. Não deu para fazer nem metade do que eu tinha planejado, mas mesmo assim consegui ir à igreja e à feira pela manhã, lavar um pouco de louça e limpar as caixas de areia. Depois, fiquei deitada vendo filme, já que a pressão caiu bastante e o dia acabou antes de terminar. Quando um dia assim acontece com uma pessoa normal, ela corre para o hospital. No meu caso, dificilmente ajuda, porque hospital nenhum é capaz de resolver.  Então recorro a Quem resolve. E vou dormir daqui a pouco, crendo que amanhã será um dia muito melhor.

Na fé eu sou teimosa. Creio que estou curada, e os sintomas vão acabar sendo obrigados a admitir isso também, mais cedo ou mais tarde. 😄 Por enquanto podem até estar insistindo, tipo demônio manifestado: “eu não vou saiiiir”, mas vão sair, sim, não estou nem um pouco preocupada.

Só passei aqui para te lembrar que a maioria das nossas batalhas é travada longe dos holofotes, e em muitas delas Deus é o único capaz de ajudar e resolver. A única forma de permanecer de pé é deixar de lado o drama e o sentimento de vítima e seguir em frente, na certeza de que você não está sozinho.
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PS. Acho que a gente não erra se tiver o hábito de dar um desconto para as pessoas, alongar um pouco a paciência. Obrigada a todos os leitores e amigos que têm tido infinita paciência com meu sumiço, com meu silêncio e com o fato de às vezes eu aparecer, mas não responder ou não dar a atenção que deveria. Fico mega feliz com cada comentário. Vocês são fantásticos!

PS2. Pretendo recomeçar a postar no blog amanhã. Aviso aqui e no Facebook.

PS3. Quando as legendas das fotos no Instagram começam a ficar enormes, você desconfia que está precisando de um blog 😄

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#Fé #Vencendo #SemDrama #hipotensão #disautonomia #Dysautonomia #EhlersDanlos #DorEmCabide #ComoSeAlguémTivesseCabideNasCostas #ÉCadaUma

*Texto originalmente postado no Instagram @vanessalampert

Estou chocada!

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Não morri! 😀

Depois escrevo mais a respeito da vigília de ontem, com mais detalhes, não tive condições físicas de escrever durante o dia (começo a melhorar no início da noite, quando já tenho que me preparar para dormir rs). Até fiz algumas anotações, mas não deu para juntá-las em um troço coerente. Passei o dia me recuperando, não deu para levantar muito, foi meio cansativo, mas nada muito diferente de todos os dias. E infinitamente melhor do que das últimas vezes em que fiquei acordada a madrugada toda. Tanto eu quanto o Davison (Sr. Lampert) ficamos impressionados, porque ficamos de 22h30 (chegamos uma hora antes) até 4h30 na rua e NÃO MORREMOS! Não fiquei nem ⅕ de como fiquei da última vez que fui dormir de madrugada ou que passei mais de 4 horas na rua.

 É claro que o corpo reclamou, mas todas as horas em que sentia a alma querendo sair do corpo, eu me sentava rs. Quando não conseguia sustentar meu corpo na vertical, também sentava (minhas articulações ainda estão com dificuldade de sustentar o corpo, preciso de músculos que não tenho. Sinto falta de um exoesqueleto, mas desconfio que o Davison não teria casado comigo se eu tivesse nascido com um rs). 

Mas valeu a pena. Deus falou conosco exatamente o que Ele já vinha conversando no decorrer da semana anterior, e mais. Quando a gente busca a Deus, Ele vai dando “spoiler” do que vai falar na igreja rs. Não que tenha sido repetitivo ou algo assim, pelo contrário, é como se Ele tivesse nos preparado para o que iria dizer. Desde a necessidade de recuperar a simplicidade e a pureza da fé do início, versículos que li com meu marido nos dias anteriores, até o trabalho da igreja Universal na África, sobre o qual lemos ontem mesmo no livro “Cristãos sob ataque” (que comprei na sexta, é o texto do antigo “Crentes Possessos”, depois escrevo especificamente sobre ele, mas vale a leitura!). Resumindo: valeu MUITO a pena termos passado a madrugada acordados. Consegui o que fui buscar, sem dúvida alguma. Valeu a dor, o cansaço e passei bem melhor do que imaginava, tanto durante a vigília quanto hoje. A gente saiu da vigília já querendo outra. E amanhã (domingo) irei à igreja mais uma vez. Isso é incrível, pessoal, eu conseguir sair de casa dois dias depois de ter ido dormir às cinco da manhã!!! 

Deus existe, pessoal. Ele existe e Se agrada de quando a gente faz as coisas para Ele e por Ele, independentemente do que parece ser o mais “prudente” humanamente falando. Já percebi que o certo mesmo é mandar a prudência catar coquinho e fazer as coisas doidas da fé. A gente tem de saber diferenciar o que é prudência e o que é medo disfarçado. A minha fé do início, pura e simples, e a que Deus me disse para resgatar, não tinha esse medo (prudência fake). Queria agradar a Deus, buscava saber a vontade dEle e seguia em frente, obedecendo, custasse o que custasse. Anota aí: se o medo quiser que você faça — ou deixe de fazer — algo, faça o contrário.

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PS1: Sei que tem gente que acha esquisito pessoas que sentam enquanto todo mundo está em pé, porque a maioria se concentra melhor em pé (por razões que me são ainda incompreensíveis). No meu caso, se fico em pé, primeiro perco o equilíbrio (especialmente se estiver de olhos fechados), podendo capotar no coleguinha do banco ao lado, o que certamente atrapalharia a concentração de todo mundo. Depois, as coisas começam a doer: pernas, braços, costas, quadris, joelhos, etc. etc.  Além disso, o coração dispara (chama-se taquicardia ortostática) e começo a ficar cansada como se subisse uma montanha. Não tem como prestar atenção a nada assim. Portanto, apesar de eu já ter ouvido falar que tem gente que acha esquisito, acredito sinceramente que as pessoas de Deus estão prestando atenção à reunião, ou orando de olhos fechados e têm mais o que fazer do que ficar reparando no que os outros ao redor estão fazendo. 

PS2: Tem gente acompanhando o blog! 😀 Fiquei surpresa e feliz em saber. Obrigada pela companhia e comentários, sejam bem-vindos e vamos em frente, juntos!

#JejumdeDanielDia6

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Estamos em uma jornada de 21 dias de jejum de informações e entretenimento chamado Jejum de Daniel. Durante esses dias, os posts no blog serão voltados exclusivamente para o crescimento espiritual. Leia este post para entender melhor.

** Para quem não acompanhou ou para quem gostaria de rever os posts das edições anteriores do Jejum de Daniel neste blog, segue o link da categoria: http://lampertop.com.br/?cat=709 .

Sobre ir à vigília sem poder ir à vigília

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Não sei se tem alguém acompanhando, mas vou aproveitar o blog para fazer algumas anotações sobre este Jejum de Daniel. Hoje tem vigília no Templo de Salomão, a partir das 23h30. Vigília é sacrifício, você fica sem dormir, é naturalmente cansativo. No entanto, o meu caso é diferente. 23h30 é hora em que eu já deveria estar dormindo. Ainda estou bem doente (apesar da minha linda cara de pessoa saudável, o sistema nervoso autônomo, que normalmente está dividido entre simpático e parassimpático, no meu caso parece estar dividido entre apático e antipático). 

Vigília é sacrifício. Por causa da disfunção autonômica (POTS) eu não posso fazer várias coisas que prejudicam minha recuperação. Não posso acordar tarde, não posso dormir tarde, não posso dormir demais, não posso tomar pouca água, não posso ficar sedentária, não posso comer determinados alimentos, não posso ficar sem usar meias elásticas, não posso ficar acordada depois das 23h. Fico mal no dia seguinte e no outro e no outro.

Foi-se o tempo em que virava a madrugada na internet (tia Vanessa é do tempo da internet discada, que custava o preço de uma ligação de 0h às 5h59 e uma ligação por minuto a partir das 6h) sem sequelas, ou que passava da meia-noite trabalhando (bons tempos aqueles, agora não consigo trabalhar nem de dia). Diante disso, a ideia de ir à vigília hoje à noite era impossível. Não quero soar dramática, mas a sensação que eu tinha era de que ficar acordada a noite toda em minha condição atual me levaria à morte. Então, meu primeiro pensamento ao saber da vigília foi “que pena que eu não posso ir!”. Meu segundo pensamento foi a conversa que se segue:

Por que não posso ir?

Porque se dormir tarde vou piorar.

E dormir cedo tem me feito melhorar?

Não.

Para que serve a vigília?

Para me aproximar de Deus, agradar ao Espírito Santo e renová-Lo em mim.

O que de pior pode me acontecer se eu for?

Morrer.

E o que acontece se eu morrer?

Vou para o céu. 

Então, se eu for à vigília e não morrer, vou me aproximar de Deus. Se eu for à vigília e morrer, vou me aproximar de Deus mais ainda, porque vou para o céu (imagina morrer no Templo, que legal! – Legal para mim, talvez os levitas que tenham que recolher o corpo não achem tão legal assim). Não havia nenhuma razão lógica ou ilógica para ficar em casa. Se dormir cedo fosse garantia de que o dia seguinte seria maravilhoso e sem problemas disautonômicos, alguém até poderia argumentar a favor de dormir. Porém, foram tantas as vezes em que fui dormir cedo e acordei no dia seguinte como se tivesse passado por um moedor de carne que não valia a pena abrir mão da oportunidade de me aproximar de Deus para ficar em casa por medo de piorar. E foi dessa forma que eu decidi ir à vigília hoje, para o terror do meu marido, que achou que eu tivesse enlouquecido de vez. Mas me apoiou e preferiu não contrariar rs. 

Acho que o que precisa ficar bem claro sempre dentro da nossa cabeça é que o espiritual é o real. Realidade não é isso que vemos com os olhos físicos, sentimos com nosso corpo ou ouvimos com os ouvidos. Realidade é o que não conseguimos ver. Deus tem que ser prioridade, mas às vezes a gente coloca como prioridade aquilo que está vendo ou sentindo, como se aquilo fosse mais real que o espiritual só por a gente conseguir ver. 

Fé racional não é baseada no racionalismo humano, mas na lógica da Palavra de Deus. A Palavra que diz que Deus existe e que recompensa aqueles que O buscam. A Palavra que nos faz entender que Deus não fica devendo nada para ninguém. Eu posso perfeitamente contrariar a lógica humana para agir conforme a Palavra de Deus. Ele diz que se eu O buscar de todo o coração, Ele será achado por mim e mudará a minha sorte. Se Ele diz que será assim, é porque será assim. É desta forma que a Palavra que sai da boca de Deus deve ser lida e considerada. Se Deus existe, a Palavra dEle é verdade. Simples, bem simples.

Hoje não vou até lá buscar cura. Eu vou até lá buscar Deus. 

Amanhã te digo se eu morri. 😀

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#JejumdeDaniel

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Estamos em uma jornada de 21 dias de jejum de informações e entretenimento chamado Jejum de Daniel. Durante esses dias, os posts no blog serão voltados exclusivamente para o crescimento espiritual. Leia este post para entender melhor.

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Sobre a pré-venda do filme Nada a Perder 2 e as vítimas de Fake News

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*Fotos do dia em que compramos os ingressos. Legendas das fotos no final do post

Não conseguimos fazer a compra dos ingressos nos totens do cinema porque eles não estavam nos entendendo, mas fomos muito bem atendidos por um funcionário que nos vendeu os ingressos no balcão. Achei que não encontraria mais ingressos porque as salas normais estão lotadas, mas a VIP está praticamente vazia (custa um rim, mas vale a pena. Ou melhor, meio rim, porque a gente paga meia).  Ano passado fomos a este mesmo cinema e também não estava lotado na pré-venda. Cadê a narrativa tosca da mídia? Cadê que coleguinha foi lá conferir se os lugares da pré-venda estavam disponíveis no dia da estreia? 


Uma funcionária sem noção tentou iniciar um comentário depreciativo contra o Bp Macedo com o rapaz que nos atendia, na nossa frente, mas foi solenemente ignorada por ele, que foi realmente muito educado conosco. Infelizmente, a gente já está acostumado a ouvir comentários de quem acha que sabe alguma coisa só pelo que ouviu falar. E nem sabe que não sabe de nada. Essas são as vítimas das Fake News que são espalhadas na mídia há trinta anos, repetindo uma mentira tantas vezes até que ela comece a soar como verdade. Pelo que vi no trailer e no livro, o filme vai falar sobre isso, sobre como começaram essas distorções pela velha mídia.

Você tem noção do que são TRINTA ANOS de interpretações distorcidas sendo marteladas na cabeça das pessoas para moldar o modo de elas enxergarem alguém? É por isso que a moça que, provavelmente, tem menos idade do que isso e nunca me viu na vida se sentiu no direito de expor uma opinião não solicitada sobre alguém que ela não conhece — e sequer se deu conta do tamanho da estupidez que estava cometendo.

Não culpo essas pessoas (hum…talvez só um pouquinho, porque todo mundo tem direito de escolher o que vai falar ou deixar de falar), elas confiam em fontes de informação que deveriam se limitar a passar informações verificadas, de verdade, e não interpretações e subjetividades tiradas do além e travestidas de informações verificadas. O maior problema está realmente nas intenções e —sobretudo — na falta de responsabilidade e de método de quem faz o trabalho de coletar os dados e transmiti-los ao público.

Este tem sido um problema gravíssimo dos dias atuais. As piores fake news nem são as mentiras simples, mas sim aquelas que se utilizam de parte da verdade para distorcer e interpretar da pior forma possível. Elas têm cara de verdade, têm jeito de verdade, mas uma meia verdade é uma mentira inteira. Elas estão por todos os lados e, principalmente, sendo geradas por aqueles que deveriam combatê-las (e, muitas vezes, dizem combater). Isso só mostra o quanto esta produção é atual e necessária. Só se combate a mentira (mesmo mentira velha) com a verdade.

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PS. A ideia era o Davison tirar fotos minhas com os ingressos, como fizemos ano passado, mas saí de lá tão exausta que não tinha condições de posar para fotos. Será que dá para colocar esse post no Instagram hoje com essas fotos?

PS2.  Cinépolis do shopping JK até agora é a única sala VIP com esse filme em São Paulo (digo “até agora” porque da outra vez ele entrou no Lar Center depois da primeira semana – e a gente assistiu de novo 😜).

PS3. Dou preferência para sala VIP porque disautonomia + Síndrome de Ehlers-Danlos + lesões no quadril, lombar e cervical + poltrona normal (que não deita) por duas horas = dor. Tento evitar.

PS4. Por falar em fake news, está aberta a temporada de jornalista com um amendoim no lugar do cérebro irritar a Vanessa com matérias burras baseadas em Fake News de 2015 e falsa causalidade a fim de tentar desmerecer o filme, mas que, no final das contas, só faz propaganda de graça. 👍🏻 (Para quem não leu o artigo do ano passado sobre o festival da Fake News pós-estreia do Nada a Perder 1, Clique aqui para ler no R7.)


* [Fotos do dia em que compramos os ingressos para o Nada a Perder 2, que estreia quinta-feira dia 15 (que, no caso, é amanhã). Imagens que mostram minha total inabilidade de me tornar uma criatura interessante no Instagram rs. Foto 1: cartaz do filme no Totem, mas com a sombra de um dedo na frente, porque uso uma luvinha esquisita para segurar o celular e às vezes me esqueço desse detalhe. (E porque não sei onde ficam as partes do meu corpo e elas têm vida própria.) Foto 2: A ideia era tirar uma foto minha com a tela da compra e o cartaz do filme enquanto o Sr. Lampert concluía a transação. Mas fiquei com cara de louca. Foto 3: No esforço de manter os olhos menos arregalados (para evitar a cara de louca), me esqueci completamente de enquadrar a tela. Foto 4: Virei para pegar melhor a tela, mas não apareceu o cartaz do filme. Aí a gente junta todas as fotos e faz uma montagem conceitual hahaha… vale só a ideia que a montagem representa. 😀 ]

Sobre a sua verdadeira identidade

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A sociedade tenta convencer as pessoas de que a identidade delas tem a ver com alguma característica física ou com algo deste mundo físico: cor da pele, etnia, peso, gênero, textura dos cabelos… Assim, tenta encaixar cada um em grupos rotulados, de acordo com características externas, prometendo uma sensação de pertencimento que nunca virá.

Muitos percebem a verdade quando ficam idosos e o corpo passa a não cooperar. Estou vivendo uma amostra grátis disso. Luto contra a disautonomia, uma espécie de “mau contato” nas funções automáticas do organismo, causada por um defeito genético. Desde que o problema se agravou, habito um corpo que não me obedece.

Nunca ficou tão claro para mim que eu não sou um corpo. Às vezes meu corpo está exausto, sem energia, a pressão muito baixa, e eu, lá dentro do corpo, tenho um milhão de planos e quero fazer um milhão de coisas, mas não consigo, porque ele não obedece. Outras vezes, tenho que parar o que estou fazendo porque os músculos do meu corpo estão fracos e as articulações, sobrecarregadas, doem. Mas, por mim, ficaria horas naquela atividade.

Eu quero comer, mas meu corpo nem sempre digere, eu quero ficar em pé por muito tempo, mas meu corpo nem sempre consegue fazer o sangue chegar à cabeça nessa posição. Quero andar mais, mas meu corpo acha que está escalando uma montanha e fica extremamente cansado com pouca coisa. Quero passar uma tarde no parque, mas meu corpo não regula a temperatura e passa mal no calor.

Quando alguém me pergunta como estou, minha vontade é responder que estou bem, porque, de fato, EU estou bem. Quem ainda não está bem é meu corpo. É impressionante o quão nítida é essa diferença hoje e o quão clara é esta verdade:

eu não sou meu corpo.

Eu não sou visível. Não sei qual é a minha forma, não conheço minha real aparência. Não sou branca, não sou negra, não sou parda, vermelha, amarela ou azul. Não sou gorda, não sou magra, não sou alta nem baixa. Não tenho nenhum problema genético. Não tenho doença, não tenho deficiência. O que meu corpo tem não me afeta. Cuido dele, sei que vai ficar bem, mas cuido, principalmente, de mim.

Eu, que estou dentro deste corpo que às vezes parece tão mais pesado do que realmente é. Eu, que preciso dizer para o meu cérebro o que ele deve fazer ou pensar. Eu, que escolho pensar no que é bom e rejeitar o que faz mal. Eu, que cuido deste corpo que tantas vezes não coopera, que vou além do limite dele para chegar ao mínimo aceitável. Eu, que não reflito no espelho, que não pertenço a este mundo, que uso os braços deste corpo, que sinto as dores deste corpo e assim conheço as dores de outros corpos. Corpos que guardam outras pessoas, que nem sabem quem são. Acham que são seus corpos, porque nunca tiveram que lutar contra eles. Vivem, iludidas, a vida dos corpos. E não sabem por que nunca se completam. Porque não são seus corpos.

Eu não sou visível. Não conheço minha aparência. Minha identidade não é cor, não é gênero, não é local de nascimento ou massa corporal. Minha identidade são as escolhas que faço. Não sei como eu me movo, só sei dirigir um corpo que mal responde. Aprendo a dirigir. Não importa os defeitos que ele tem, estou feliz por ter este corpo. Ainda que pesado, ainda que difícil, ainda que rebelde. Pelo tempo que estiver dentro dele, vou fazer o máximo, com todas as minhas forças, para levar a outras pessoas a consciência de que elas não são corpos. Essa consciência tinha quem escreveu:

“Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.” (2 Coríntios 4.16)

E completou: “Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.” (2 Coríntios 4.18)

É uma sabedoria que o mundo de hoje desconhece — ou finge não conhecer.

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Uma palavrinha sobre as eleições

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[Estou fazendo tratamento médico e não deveria me desgastar escrevendo sobre esse assunto, mas não ficaria tranquila sem colocar pelo menos alguns tópicos que considero importantes enquanto ainda há tempo de votar. Por favor, leia até o final.]

Para escolher em quem eu iria votar no primeiro turno, li o plano de governo do PT, do Ciro, do Alckmin, da Marina e do Bolsonaro. Conclusão: ideologicamente, PT, Ciro, Marina e Alckmin estão mais alinhados do que gostariam de admitir. A questão da ideologia de gênero nas escolas, por exemplo, só não existe no plano de governo do Bolsonaro (ele fala claramente em ensino sem ideologia). Ciro promete “articulação e apoio ao Estatuto da Diversidade Sexual” e “implementação efetiva do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos LGBT”, o que garante o ensino da teoria de gênero como se fosse consenso científico.

Logo, quem discorda dessa ideologia não tem muita alternativa na hora de votar. Já quem apoia, tem todas as outras opções a comparar e escolher. Depois do atentado, a mídia e a militância de esquerda bateram tanto no Bolsonaro que comecei a me interessar por ele. Eu queria saber se ele realmente era o maluco totalitário que diziam que ele era, por isso resolvi ler o programa de governo completo, sem fazer juízo de valor, só tentando entender, mesmo, já que formar minha opinião com base na lista de xingamentos que as pessoas apresentam como se fossem características dele não é bem minha praia. E o fato de que a Globo e a Veja estavam claramente contra ele era sinal de que ele não deveria ser tão ruim assim.

Todos os cidadãos devem ser respeitados, como a constituição garante e como a Declaração de Direitos Humanos determina. Foi um espanto descobrir, logo nas primeiras páginas, que o plano de governo do Bolsonaro é muito mais inclusivo e democrático do que eu imaginava. Fala em seguir a constituição e as leis, não estimula preconceito de nenhum tipo.

A melhor base de ideias incrivelmente é a dele, ainda que não seja um projeto perfeito e ainda que eu não concorde com todas as propostas. Com relação ao que não concordo nas propostas dele, presidente não governa sozinho, por isso é bom escolher direito os deputados e senadores. Assim, teremos quem defenda nossas ideias. (E, não sei se você reparou, mas foram deputados e senadores que tiraram a Dilma. Eles apresentam projetos de lei e — mais importante do que isso — eles aprovam e também barram projetos de lei. Arrisco dizer que saber em quem votar para o legislativo é mais importante do que saber em quem votar para o executivo…)

Resumindo, se o Bolsonaro colocar o plano que está no TSE em prática, não vejo nenhuma ameaça à democracia, nenhum plano maligno, nada que destrua o Brasil. Até agora o que me parece é que a oposição a ele é feita na base da forçação de barra, bullying de quinta série e notícias com dados incompletos para passar uma impressão de que o cara é um monstro. Não é. Mas deve ser uma ameaça bem grande às estruturas falhas do nosso sistema. E só por isso já mereceria meu voto.

Comecei a pensar fora da bolha da esquerda no ano passado e mudei de candidato umas três vezes durante o período eleitoral. Só comecei a pesquisar a sério o Bolsonaro por causa da reação dos opositores (aqueles com quem fiz campanha para o PT em 2010 e 2014) ao atentado que ele sofreu. E minha visão dele hoje é bem diferente. Não é mito, não é salvador da pátria, mas também não é monstro destruidor de democracia.


Extras:

Eu me identifiquei bastante com esse vídeo, ele resume bem minha mudança de posicionamento político:  https://www.youtube.com/watch?v=hiVQ8vrGA_8

Este site é muito útil para entender como as informações sobre Bolsonaro têm sido distorcidas: http://mentiramparamimsobreojair.com/

Link para baixar as propostas dos candidatos em PDF:

http://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2018/propostas-de-candidatos

Alckmin (estranhamente, o arquivo do Alckmin que está no TSE é um resumo. A proposta na íntegra está no site dele):
https://www.geraldoalckmin.com.br/wp-content/uploads/2018/09/Programa_GA_2018.pdf

Bônus: Para quem acha, como eu achava, que “discurso de ódio” é coisa das pessoas de direita, apresento-lhes o maravilhoso mundo dos prints do perfil “Ódio do Bem”: https://twitter.com/odiodobem

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PS: Me perdoem o texto desorganizado, é que a votação do primeiro turno já é amanhã e estou angustiada por não ter conseguido concluir o texto direito, então resolvi publicar bagunçado, mesmo. Se tiver segundo turno, é provável que os posts sobre o assunto sejam todos bagunçados assim.

PS2: Sobre quem chama Bolsonaro de “coiso” e “inominável”: eu tenho uma excelente teoria sobre o porquê de essa estratégia estar sendo aplicada. Se alguém quiser, posso elaborar um post sobre isso no segundo turno — se houver segundo turno — ou em retrospectiva, se ele vencer no primeiro.

PS3: Sobre o tratamento médico, é um problema raro, de nascença, que eu não sabia que tinha, mas que se agravou nos últimos anos e estamos trabalhando para normalizar. Mas Deus me livre de ter que falar sobre isso neste post hahaha. Se o povo não consegue entender e respeitar o período de recuperação pós-cirurgia, infecção e longa hospitalização de um cara que levou uma FACADA NA BARRIGA, vai querer saber alguma coisa de um problema do qual a maioria sequer ouviu falar? rs

Obs. Não achei os créditos da imagem. Se alguém souber de quem é, por favor, me avise.

Será?

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O problema de algumas pessoas é ficar cogitando os pensamentos esquisitos, tentando refutar um a um enquanto deveriam ignorá-los e substituí-los por pensamentos da Palavra de Deus. Qualquer palavra é suficiente para trazer dúvidas e duvidam até da sua própria fé. Poderiam aproveitar esse poder de duvidar de qualquer coisa e direcioná-lo para o alvo certo.

Minha avó, Dona Naura, tinha a mania engraçada (e bastante estranha, confesso), de perguntar: “Será?” quando alguém lhe contava alguma coisa. Ela fazia isso em momentos em que uma pessoa normal diria: “sério? Que coisa!” ou “barbaridade!” ou “puxa!”. Não sei se isso é comum na Bahia (ela era baiana), mas era um “será?” tão descontextualizado que um dia um dos meus irmãos até brincou: “Que é isso, vó? Se a senhora diz “será?” parece que está achando que eu estou mentindo!”. Ela riu, mas não se corrigiu, então desconfio de que realmente achasse hahaha. Mas é assim que a gente tem de lidar com as dúvidas e os pensamentos perturbadores.

Olha só como a técnica da D. Naura funciona bem:

“Deus não vai me ouvir.”  SERÁ?

“Eu não mereço ser atendido.”  SERÁ?

“Isso é impossível!” SERÁ?

“Eu fiz isso, isso e aquilo, não vou receber o Espírito Santo.”  SERÁ?

“Eu não tenho fé.”  SERÁ?

Não precisa ficar conversando com o pensamento. É só duvidar dele. Funciona bem também para pensamentos dramáticos e catastróficos.

“Oh, céus, eu nunca mais terei uma chance!”  SERÁ?

“Nunca vou conseguir.” SERÁ? 

“Nunca vou ficar bem!” SERÁ? 

Eu me lembro de uma musiquinha que o Bispo gostava de cantar na João Dias e que dizia: “duvide de dúvida, sempre duvide da dúvida…” Em vez de questionar a Palavra de Deus, a sua fé, a benignidade de Deus ou o próprio Espírito Santo, aproveite para duvidar da dúvida sempre que ela aparecer.

 

PS1. Se você fez o Jejum de Daniel, escrevo esse texto na esperança de que você o leia antes da reunião de domingo. Mas se a reunião já passou e você só viu o texto agora, espero que entenda que o que vou dizer se aplica a todos os dias da sua vida.

PS2. O Jejum de Daniel termina este domingo, mas peço licença para continuar falando sobre espiritualidade depois que ele acabar, ainda que eventualmente intercalando com outros assuntos..

#JejumdeDaniel

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Estamos em uma jornada de 21 dias de jejum de informações e entretenimento chamado Jejum de Daniel, de 6 a 26 de agosto. Durante esses dias, os posts no blog foram voltados exclusivamente para o crescimento espiritual. Leia este post para entender melhor.

** Para quem não acompanhou ou para quem gostaria de rever os posts das edições anteriores do Jejum de Daniel neste blog, segue o link da categoria: http://lampertop.com.br/?cat=709 .

Para abrir os olhos

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“Assim corro, não sem meta. […]” (1Coríntios 9.26)

Talvez falte a muitos a consciência do que estamos fazendo aqui. Do que realmente é a vida. Enquanto você está aí dormindo, achando que pode ficar avaliando se esse negócio de Bíblia e de igreja é mesmo para você, achando que dá para ficar se preocupando com bobagenzinhas no trabalho, com fulano que tem inveja, com o que disseram, pensaram ou fizeram, o tempo está passando, os dias estão correndo para o fim que não é fim.

Gosto de assistir a documentários sobre história. Histórias das civilizações antigas, histórias de antigos reis, histórias de grandes invenções… Gosto também de visitar museus, ver mansões, móveis, roupas e outros objetos antigos e imaginar as pessoas que os tiveram, que os tocaram e hoje não estão mais por aqui. Penso em quantos problemas, quantas dúvidas, medos, sonhos, projetos e ideias, quantas histórias que nunca foram escritas e que jamais saberei. Sempre gostei também de ler livros de cartas antigas, correspondências e diários de pessoas que passaram por este mundo. Lia com um distanciamento, observando sem me influenciar, pensando no quanto aquelas questões eram importantes para elas, no quanto se aferravam a suas opiniões e no quanto sequer percebiam o relógio que não para.

Certa época da vida, confesso, aproveitava qualquer passagem a um cemitério para ler as placas nas lápides. Olhava as datas de nascimento e de morte e imaginava quanto de vida cabia entre aquelas duas datas. Uma vida inteira no espaço de poucos caracteres. Obituários, fotos antigas, imagens de pessoas importantes e de pessoas desconhecidas, filmes antigos, verbetes da Wikipedia e de enciclopédias, livros de autores mortos…marcas de tantas vidas que passaram por este mundo e que nunca deixarão de existir. Onde elas estão hoje? O que lhes aconteceu?

O que passa em minha cabeça é exatamente o que fala neste vídeo (clique aqui para ver). Nosso tempo neste mundo é minúsculo se comparado ao nosso real tempo de vida. Estamos aqui para escolher onde passaremos a eternidade e, até lá, um milhão de distrações tentarão desviar nosso foco. Mas se mantivermos nossos olhos fixos no que queremos alcançar, alcançaremos.

É claro que temos que viver nossas vidas por aqui e existem muitas coisas boas para aproveitar, mas é importante ter consciência do real valor que as coisas têm. Mesmo o que é mais precioso para nós neste mundo não tem mais valor do que aquilo que é eterno. Não faz sentido acreditar nisso e empregar a maior parte da vida, do esforço e dos pensamentos naquilo que vale tão pouco.

Quando acompanhamos as histórias de tantas vidas que já passaram, pessoas que viveram antes de Cristo, reis de reinos que nem existem mais, pessoas que nasceram no primeiro século, no quinto, na idade média, os mártires da igreja, os grandes gênios da física, temos outra perspectiva do tempo e vemos o quanto ele passa rápido. É um sopro. É um piscar de olhos. Não há absolutamente nada neste mundo que valha mais do que o nosso relacionamento com Deus, a Salvação da nossa alma. É só o que levaremos daqui.

 

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O Resgate

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O Resgate é um daqueles livros da igreja que você pode achar que não têm a ver com o seu caso, afinal de contas, você nunca se afastou da igreja e, portanto, não precisa de resgate…ou precisa?
Aprenda uma coisa a respeito dos livros da Universal: a maioria serve para todo mundo rs. É claro, existe um público-alvo prioritário, mas se você — como eu — adotar como princípio básico ler todos os livros da igreja, independentemente de fazer ou não parte do público-alvo aparente, pode ter certeza de que vai se beneficiar. Foi assim com Crentes Possessos (oi? Eu não sou uma crente possessa, mas o livro fala sobre fé e me ajudou muito) e com Namoro Blindado (estou casada há um milhão de anos, mas o livro me ajudou até em questões de autoconhecimento), por exemplo.

O Resgate declaradamente inclui três públicos em seu alvo:
1 – Aqueles que estão fisicamente afastados
2 – Aqueles que não se afastaram fisicamente, mas estão perdidos dentro da igreja
3 – Aqueles que estão firmes e querem se blindar contra o afastamento

O livro ajuda a entender todo o processo de afastamento e como a pessoa pode retornar e se firmar, inclusive com explicação detalhada sobre Novo Nascimento. É uma excelente ferramenta tanto para quem está procurando ajuda quanto para quem quer se equipar para ajudar outras pessoas. O Bp. Sérgio usa uma linguagem de fácil compreensão e comparações que ajudam a fixar melhor os conceitos.

Leitura super recomendada para o Jejum de Daniel — ou para qualquer época da vida.

Para concluir, vou deixar dois trechinhos do livro:

“Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e fazei-vos um coração novo e um espírito novo; pois, por que razão morreríeis, ó casa de Israel? (Ezequiel 18.31)

Note que Ele orienta a pessoa a fazer para si um coração novo e um espírito novo, ou seja, há uma parte no processo de reconstrução interior que é tarefa do próprio ser humano. Essa parte é o sacrifício de nossas vontades, pecados e hábitos que nos afastam de Deus. Por mais que em alguns momentos isso pareça difícil, não é impossível. É difícil, mas é praticável, caso contrário Ele não nos pediria para fazer. Por isso, persevere.
Em outro trecho bíblico, Deus promete:

“Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o Meu Espírito, e farei que andeis nos Meus estatutos, e guardeis os Meus juízos, e os observeis.”
(Ezequiel 36.25-27)

Esta é a parte de Deus. Ele é o que nos purifica. Ele tira de nós o coração de pedra e nos dá um novo coração e um novo espírito. Se fazemos nossa parte, sacrificando nosso velho coração, Ele faz a parte dEle, colocando dentro de nós o Seu próprio Espírito e fazendo com que consigamos guardar Sua Palavra e andar em Seus estatutos. É uma parceria que funciona.

Por isso, não faz sentido o medo de não conseguir obedecer ou de não ser forte para resistir ao pecado. Você não precisará fazer isso sozinho. Como todos os milagres, o novo nascimento é um milagre operado pelo próprio Deus em parceria com o ser humano. Não é na força do seu braço, mas pelo braço forte dEle, que você conseguirá ser, finalmente, uma nova criatura.”

[…]

“4. Pensamentos: Essa é outra entrada muito larga para a enfermidade espiritual. O diabo faz você pensar o que não era para pensar (ou deixar entrar pensamentos que não deveriam entrar). Depois de tudo o que foi dito sobre pensamentos neste livro, você já sabe como fazer para não permitir que os pensamentos ruins se instalem em sua mente. Não se esqueça de fazer o checklist de Filipenses 4.8. Todos os pensamentos negativos devem ser rechaçados, mesmo as mínimas coisas negativas. Quando a pessoa descuida dos pensamentos, eles se tornam a maior porta de entrada para a enfermidade espiritual. Tome cuidado triplicado.

Se você deixar o diabo sentar no ombro e começar a falar na sua mente, ele fará a festa. Você acha que é um pensamento seu, mas é uma palavra do diabo. É só testar: se o pensamento coloca você para baixo, acusa, gera medo ou ansiedade, ele seguramente vem do diabo. Se você não vencer seus pensamentos de dúvida, vai ficar na igreja como peça decorativa, sua fé será inoperante. Quando há dúvida a pessoa fica parada, mas não há razão para ficar parado. Se algo que você fizer der errado, aprenda com o erro para ir adiante. Não fique parado olhando para o passado, culpando a si mesmo ou questionando suas atitudes para se torturar. Não dê ouvidos aos pensamentos negativos. Procure fazer com que seus pensamentos estejam 25 horas por dia em Jesus e você não dará lugar ao diabo.”

PS. Acho que você encontra este livro em qualquer igreja Universal, principalmente nas catedrais. E online no site Arca Center (impresso e epub) e na Amazon (ebook para kindle, tanto para ler no e-reader quanto no aplicativo, em qualquer aparelho).

PS2. Para variar, como acontece em todo Jejum de Daniel, comecei a ter problemas técnicos no gerenciador do blog e hoje só consegui postar via celular, então não sei como vai sair esta postagem.

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