Como aprender

arqueologia

Muitas pessoas (muitas, mesmo, independentemente de inteligência ou grau de escolaridade) foram alfabetizadas direitinho, mas nunca foram ensinadas a como ler e realmente entender o que leem. Se isso já é ruim quando se trata de aprender algo secular (não “decorar” para passar na prova, mas aprender, mesmo, para saber), muito pior se torna quando se trata de ler a Bíblia ou algum outro conteúdo espiritual.

Você provavelmente já ouviu dizer que a leitura Bíblica não deve ser uma leitura corrida, mas uma meditação pausada. Se realmente quiser entender e absorver qualquer leitura, o processo é semelhante. Seja um post do blog do Bispo, seja um livro da igreja ou um versículo Bíblico, é necessário ler pausadamente, pensar em cada palavra e na relação entre elas. O texto é uma corrente em que cada elo leva ao outro elo, nos conduzindo pelo raciocínio do autor até nos levar a uma conclusão lógica. Então, cada palavra importa. Cada frase se conecta à outra frase.

Falando especificamente da Bíblia, antes de começar a leitura, você deve pedir a Deus que o ajude a entender e a pensar sobre aquilo que vai ler. O rei Davi, que meditava dia e noite nesses ensinamentos, pedia a Ele o entendimento:

Faze-me entender o caminho dos Teus preceitos; assim falarei das Tuas maravilhas.

Ensina-me, ó Senhor, o caminho dos Teus estatutos, e o guardá-lo-ei até o fim.

Dá-me entendimento, e guardarei a Tua lei, e observá-la-ei de todo o meu coração.” (Salmos 119.27;33-34)

Enquanto estiver lendo, preste atenção a tudo. Qualquer texto é comida para o espírito (alguns têm nutrientes, outros, não, mas nosso espírito ingere tudo o que a gente lê — então escolha bem suas leituras). Mastigue, lentamente, para sentir o sabor.

Se surgir algum questionamento durante a leitura, pense a respeito, use o fantástico equipamento que Deus colocou entre suas orelhas. Geralmente, o próprio texto traz a chave para o leitor compreender, seja observando a frase dentro do contexto, seja fazendo conexão com alguma outra parte que você conheça da Bíblia e que fale sobre o assunto…e às vezes a gente lê até o final e só então consegue entender melhor o início. Não é incomum ter de ler mais de uma vez um texto para melhor compreendê-lo.

E se encontrar alguma palavra desconhecida, não interrompa a leitura, só anote a palavra. No final, se não tiver um dicionário à mão, pode consultar nosso amigo Michaelis Online que ele costuma dar conta do recado. Sabendo o significado, releia a frase e veja se tinha entendido certo.

Se ao final da leitura você só tiver uma ideia geral e vaga do que foi dito, você provavelmente não passou do primeiro estágio de leitura. É importante entender o pensamento do autor, saber o que aquele texto realmente está dizendo, ter um olhar de investigador, de explorador, de profundo interesse.

Anotar os pontos mais importantes e o que você entendeu de cada um deles também ajuda. Algumas pessoas imprimem o texto para fazer marcações. É importante escavar, abrir, cortar, tirar pedaço, mastigar, separar as bolachas do recheio…

Arqueólogos, quando encontram um sítio arqueológico, não vêm com uma retroescavadeira arrancando pedaços gigantes do lugar para “terem uma ideia geral” do que tem ali. Não! Eles tiram pedacinho por pedacinho, usando uma colher de pedreiro, com uma lentidão quase irritante. Todo o trabalho é feito em etapas, com muita atenção e cuidado. Eles trabalham muito com um pincel e peneira, pois qualquer lasquinha de qualquer coisa pode ser muito mais importante do que parece à primeira vista.

É mais ou menos assim que deve ser a leitura de quem realmente quer descobrir um tesouro naquilo que lê. Caso contrário, a pessoa pode estar desperdiçando a oportunidade de se enriquecer. De repente, em todas as suas leituras bíblicas, você já passou pelas respostas que procura umas vinte vezes, mas nunca viu, pois não estava fazendo uma meditação minuciosa com peneira e pincel… Que tal começar a partir de agora?

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#JejumdeDaniel #Dia8

 

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Estamos em uma jornada de 21 dias de jejum de informações e entretenimento chamado Jejum de Daniel. Durante esses dias, os posts no blog serão voltados exclusivamente para o crescimento espiritual. Leia este post para entender melhor.

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Sobre Novo Nascimento

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O que mais tem nas igrejas é gente que não faz a menor ideia do que é nascer de Deus. Muitos acham que o fato de não fazerem o que faziam antes (não fumam mais, não bebem mais, não vão a baladas, não saem com várias pessoas, não usam drogas, etc. etc.) é indicativo de que nasceram de novo. Na verdade, mudança de hábitos qualquer um pode fazer, estando ou não em uma igreja.

Muitos acham que pelo muito fazer serão justificados. Então se preocupam com as doutrinas de sua religião e em aprender a como se parecer com alguém daquela religião (e aqui estou colocando todas as religiões no balaio, sim, mas falando mais especificamente da religião evangélica).

Ser religioso é fácil. Exige algum esforço, dependendo do quão complicadas são as doutrinas da igreja em questão. Nascer de novo é que não é fácil. Nascer de novo é se transformar em uma nova pessoa. Sua forma de pensar muda. Sua forma de entender o mundo, de enxergar as pessoas…seu caráter é corrigido, seus pensamentos são outros, suas prioridades são outras…

Para isso, você deve estar disposto a abrir mão da sua velha vida, da velha criatura, do velho modo de entender a vida e deixar Deus transformar seu interior. É quando você não suporta mais a sua vida, não suporta mais quem você é e decide morrer. Aí em vez de fazer uma coisa estúpida como se suicidar, você decide formatar sua vida. Apaga tudo e faz de novo, mas desta vez, da maneira certa.

É assim que pessoas aparentemente irrecuperáveis ganham uma nova chance e se transformam em cidadãos de bem. E pessoas que por fora pareciam pessoas de bem, mas por dentro eram terríveis, conseguem se livrar da vida de hipocrisia. Pessoas que mentem, que enganam, que qalimentam um gerador de dúvidas, que enganam a si mesmas, que querem levar vantagem, que distorcem o que ouvem e o que veem, que interpretam tudo de uma forma negativa, que falam mal dos outros, que são pessimistas, maldosas, temperamentais ou emotivas demais se tornam equilibradas, honestas, positivas, pacientes e otimistas. Não é mágica. É sacrifício.

Para se tornar uma nova criatura, a pessoa tem que pagar o preço. Caso contrário, só muda por fora. Negar a si mesmo às vezes é renunciar à sua vontade (ou mesmo ao seu direito) de avaliar uma a uma das dúvidas para ver se têm algum fundamento (enquanto você SABE que aquelas são dúvidas que vêm para minar sua fé). Negar a si mesmo também pode ser considerar a Palavra de Deus como verdade mesmo quando ela contraria os seus interesses. É fácil simplesmente mudar de hábitos. Não precisa de muito sacrifício, não. Não comparado a mudar a sua forma de pensar, de reagir, de encarar o mundo e de lidar com as outras pessoas.

É absolutamente necessário que esse novo nascimento aconteça, porque a única forma de deixar de ser apenas criatura de Deus e se tornar filho dEle é nascendo de Deus. Essa transformação interior é operada pelo próprio Espírito Santo, nos aproxima do caráter de Deus e nos garante tudo o que Ele reserva aos Seus filhos.

Eu demorei muito tempo para conseguir isso porque demorei muito tempo para querer isso e mais tempo ainda para perceber que precisava disso. É o problema de crescer como uma pessoa religiosa e achar que já está com Deus simplesmente por ir à igreja e decorar versículos. Quando eu percebi que precisava e decidi morrer para todas aquelas porcarias que tinha dentro de mim, não foi nenhum bicho de sete cabeças nascer de novo. O próprio Deus opera esse milagre.

Porque, pensa bem, se você morre dentro de você e seu corpo continua andando por aí sem você nascer de novo, temos o início do apocalipse zumbi. Um morto-vivo caminhando em busca de cérebros para comer… Então, não tem muita escolha. Se chegou o momento em que a ficha caiu, você olhou para dentro de si e abominou o que viu, resolve morrer para este mundo, entregando a sua vida para Deus, Deus faz a parte dEle. E é preciso se lembrar de que Deus existe e que Ele realmente faz o que diz que faz. Como diz a Bíblia, é necessário crer que Ele existe e que recompensa os que O buscam (Hebreus 11.6).

E a sua parte você também faz, é claro, renunciando à vontade de continuar sendo a mesma pessoa de antes, de pensar do mesmo jeito de antes, reagir do mesmo jeito de antes…se colocando à disposição de Deus para que Ele transforme você na pessoa que Ele quer que você seja. Fácil não é, mas é perfeitamente possível — e necessário.

 

#JejumdeDaniel #Dia7

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PS. Parte deste post já tinha sido publicada muitos séculos atrás, mas achei importante atualizar e republicar.

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A chave de tudo

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Não existe fórmula para se entregar a Deus, receber o Espírito Santo ou nascer de novo. A chave de tudo está na humildade e obediência. A obediência naturalmente segue a humildade. Porque o humilde sabe que não sabe nada e, quando encontra Alguém que sabe (no caso, Deus), segue o que Ele diz.

O vídeo que saiu no blog do Bispo hoje (clique aqui para ver) mostra como devemos encarar as coisas de Deus. A simplicidade e humildade desse povo que recebe a Palavra de Deus como o tesouro que ela é, e que não demora para colocá-la dentro de si e obedecer sem questionar, é a chave para encontrá-LO.

“Converter-te-ás, pois, e darás ouvidos à voz do Senhor; cumprirás todos os Seus mandamentos que hoje te ordeno. E o Senhor teu Deus te fará prosperar em toda a obra das tuas mãos, no fruto do teu ventre, e no fruto dos teus animais, e no fruto da tua terra para o teu bem; porquanto o Senhor tornará a alegrar-Se em ti para te fazer o bem, como se alegrou em teus pais, quando deres ouvidos à voz do Senhor teu Deus, guardando os Seus mandamentos e os Seus estatutos, escritos neste livro da lei, quando te converteres ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, e com toda a tua alma.

Porque este mandamento, que hoje te ordeno, não te é encoberto, e tampouco está longe de ti. Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? Nem tampouco está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar, para que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?

Porque esta Palavra está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires. Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal; porquanto te ordeno hoje que ames ao Senhor teu Deus, que andes nos Seus caminhos, e que guardes os Seus mandamentos, e os Seus estatutos e os Seus juízos, para que vivas, e te multipliques, e o Senhor teu Deus te abençoe na terra a qual entras a possuir.

Porém se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido para te inclinares a outros deuses, e os servires, então eu vos declaro hoje que, certamente perecereis; não prolongareis os dias na terra a que vais, passando o Jordão, para que, entrando nela, a possuas; os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência. Amando ao Senhor teu Deus, dando ouvidos à Sua voz, e achegando-te a Ele; pois Ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; para que fiques na terra que o Senhor jurou a teus pais, a Abraão, a Isaque e a Jacó, que lhes havia de dar.

Deuteronômio 30.8-20

A religião passa fórmulas e rituais que apenas dão a impressão de que a pessoa está cumprindo a sua parte, mas é ilusão. A fé nos leva a analisar, pensar e entender, mas não dá fórmulas, nem atalhos. Você não precisa que ninguém traga a Palavra de longe ou lhe revele, como se estivesse oculta. Ela está aí, ao seu alcance, assim como a chave para compreender.

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#JejumdeDaniel #Dia6

Leia também: Somente a Verdade, nada mais que a Verdade.

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O parque de ilusões

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Parece incrível, mas o que impede as pessoas de entregar sua vida a Quem pode lhes fazer feliz é o fato de elas terem sido enganadas por este mundo a vida inteira.

O mundo é um parque de ilusões. A pessoa passa a vida toda achando que tem alguma coisa, que é alguma coisa, que sabe alguma coisa. Lá no fundo, ela sente que é uma farsa, mas não pensa muito nisso.

Ela também é enganada para achar que alguma coisa deste mundo tem valor. O papelzinho retangular colorido cheio de bactérias que carrega para lá e para cá se torna um deus. Tudo é feito em função dele. Quando começa a ter mais papéizinhos do que consegue carregar no bolso, substitui por um retângulo de plástico tingido com letras prateadas que desbotam (e sujam a mão).

E se acha mais importante quanto mais frescura tiver o pedaço de plástico. O dourado é melhor que o vermelho, o prateado é melhor que o dourado e o preto é melhor que o prateado, mas o plástico é o mesmo, a máquina em que foram feitos é a mesma. E os papéizinhos que os diferenciam, na prática nem existem. São números em um computador.

O mundo insiste em martelar o mantra de que aproveitar a vida é sair para um lugar cheio de gente (na maioria, estranhos), mal iluminado, barulhento, com cheiro de fumaça e, nesse lugar, de preferência sacrificando o descanso (aquele que serve para recuperar seu corpo, aumentar sua longevidade e protegê-lo de futuras doenças horríveis), pular e sacudir ao som de um barulho extremamente alto, ingerir grandes quantidades de um líquido de sabor amargo, que irrita a mucosa do esôfago e do estômago, inflama o fígado e sobrecarrega os rins — além de destruir neurônios e atrofiar o cérebro. Além, é claro, de encostar a boca aberta nas bocas abertas de pessoas de hábitos de higiene oral e saúde desconhecidos (não vou entrar em detalhes sobre outras partes do corpo que encostam em pedaços de humanos desconhecidos). Isso, para o mundo, é “curtir a vida”.

A vida, para o mundo, deve girar em torno do papelzinho colorido e de atividades como ouvir um barulho e ficar sacudindo de modo a causar prejuízo às suas articulações, passar o dia olhando para um retângulo brilhante enquanto tamborila seus dedos sobre ele, gastar horas conferindo as atividades de outros humanos ou fingindo viver uma vida que não é sua. Trocar papel colorido por pedaços de pano costurado, tijolos empilhados, latas com rodas e uma porção de outros materiais também traz felicidade, segundo o mundo.  

O mundo também diz que ser visto e reconhecido por milhares de desconhecidos deveria ser o objetivo de uma vida. Para muitos, aparecer em um retângulo brilhante na casa de muitas pessoas traz a sensação passageira de ser alguém. Para outros, o simples aviso de que várias pessoas clicaram em um botão embaixo de alguma coisa que ele publicou em outro retângulo brilhante já traz alguma satisfação momentânea.

O mundo faz você acreditar que seu nariz não é como um nariz humano deveria ser (embora não haja nenhum manual do fabricante para dar respaldo a essa afirmação) e garante que a única saída é dar muitos papéis coloridos para outro humano quebrar seu nariz, tirar um pedaço dele e colocá-lo supostamente na posição “certa”.

O mesmo com suas mamas, barriga, pernas, braços, lábios, rugas, cabelo, pele…aparentemente, não há nada de certo em seu corpo e é necessário conseguir muitos papéis coloridos a vida inteira para tentar consertar o que alguém disse que está errado. Mas a esperança de felicidade também vem no pacote.

Além disso, o mundo também tenta convencer de que a pessoa alcançará a felicidade se encontrar outro ser humano que traga os problemas dele para se juntar aos dela e criar vários outros a partir da junção dos dois, de preferência vivendo na mesma casa, tendo que compartilhar as coisas enquanto cada um está pensando em si mesmo, querendo que o outro supra suas necessidades (afinal de contas, foram ensinados assim pelo mundo). E, como a pessoa não se sente suficientemente feliz assim, o mundo a convence de que a fonte da felicidade está na reprodução da espécie e que, se fizer mais um ser humano para sofrer neste mundo, sua vida terá sentido.

Depois, o mundo garante que a causa do sofrimento é justamente o ser humano com quem a pessoa se uniu e que a solução é se afastar daquele ser humano e encontrar outro com o qual possa fazer exatamente as mesmas coisas e ter os mesmos resultados. Mas, por alguma razão, ela acredita que será diferente.

O vazio permanecerá, mesmo se a pessoa conseguir cumprir todas as exigências deste mundo. Ele não cumpre nenhuma das promessas que faz. Não há felicidade, não há alegria que não seja momentânea, não há necessidades supridas, não há sensação de plenitude. Só cansaço, frustração e ilusões despedaçadas. No final, fica a amargura de quem só conheceu o engano e acha que isso é tudo o que existe.

E este mundo é uma sala de espera, mas quer nos convencer de que ele é o destino final. As pessoas estão aqui, brigando e lutando por coisas que em breve vão passar. Não têm como saber o que virá depois, mas vivem como se não tivesse nada depois. Um dia, porém, todos nós seremos chamados pelo nome. Cada um para o lugar em que escolheu estar enquanto estava na sala de espera. E a gente não escolhe com esperança, com palavras ou com vontade. Quando escolhemos em que iremos gastar nosso tempo, a o que daremos atenção ou em que demonstraremos interesse, ou quando definimos nossas prioridades, estamos escolhendo a porta que se abrirá para nós quando nosso nome for chamado.

Agora esse texto faz sentido:

“Então disse Jesus aos Seus discípulos: se alguém quiser vir após Mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-Me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de Mim, achá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” Mateus 16.24-26

Este mundo é uma porcaria, assim como a vida vivida em função dele. Na verdade, o que este mundo realmente quer é a sua alma. Ela é a única coisa realmente preciosa. E é por isso que vale a pena renunciar ao que for para entregá-la ao Único que pode mantê-la a salvo e dar a você a chance de saber o que é a vida, de verdade, fora do parque de ilusões.

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#JejumdeDaniel #Dia5

Leia também:  O deserto em mim

 

 

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Como se entregar 100%?

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Dia desses alguém fez essa pergunta no Facebook, mais especificamente nos comentários da transmissão de uma reunião do Bispo em que ele falava sobre a necessidade de se entregar 100% a Deus. O post de ontem no blog dele também falava sobre isso, que muita gente não nasceu de Deus porque ainda não se entregou. Hoje, relendo “Somos todos filhos de Deus?”, encontrei o seguinte trecho:

“[…] o Espírito Santo não pode gerar uma nova vida em alguém que não morreu. Ninguém pode viver duas vidas simultaneamente. […] A vida do homem não é como uma roupa ou um objeto qualquer, cujo dono pode manter o velho e comprar um novo. […] A morte a que nos referimos aqui não é uma morte física, mas espiritual.” (p.75)

Acho que nada resume melhor a questão da entrega total de vida do que essa analogia. Como uma pessoa morre? Ela fecha os olhos e todos os músculos de seu corpo se relaxam. Todas as funções do corpo são interrompidas. Você olha para aquele corpo e claramente não tem mais ninguém ali dentro. A pessoa partiu e deixou o corpo para trás. Não vai se ofender nem se você falar mal dela na frente do caixão.

Ela não tem mais nada. Suas vontades, mágoas, invejas, amantes e comportamentos nocivos morreram com ela. Não tem mais casa, carro, dinheiro, posição social.

Da mesma forma, quando nos entregamos ao Senhor Jesus 100%, morremos para nossa antiga vida. Não apenas para as atitudes erradas que tínhamos, mas para tudo. Aprendemos a dizer “não” a atitudes e pensamentos que antes pareciam tão impossíveis de controlar.

É isso que acontece com quem “morre” espiritualmente falando: você não se importa em mudar sua maneira de pensar, de falar, de agir, de viver e de reagir. Você não se importa mais com essas coisas ou com o que tem, o que é ou o que vai ser. Está disposto a entregar todas essas coisas e deixar de querer fazer do seu jeito ou controlá-las. Você se rende. Você sacrifica seus traumas, suas mágoas, seus medos, afinal de contas, agora está morrendo e nada disso tem valor. Não se angustia pelo futuro, pois mortos não se preocupam com isso. Sabe que é o fim dessa jornada e que uma nova jornada está para começar. É assim que se morre para a velha vida.

Então, Deus vem com o Seu Espírito e nos faz nascer de novo. Nos dá nova vida. Novo caráter, novos padrões, novos valores. Porque morremos para nós mesmos, Ele tem espaço para entrar e gerar uma nova criatura no lugar daquela que você decidiu matar.

Quando eu era a velha criatura, pensei várias vezes em suicídio. A vida dentro de mim era tão insuportável que eu queria morrer. Até o dia em que me dei conta de que não queria morrer, queria viver de outro jeito. Queria ser feliz, ter paz e encontrar descanso para a minha alma. Como escrevi em um post, algum tempo atrás, a respeito da Vanessa de 18 anos:

“Aquela menina queria tanto morrer que conseguiu, da maneira mais inteligente possível. Hoje eu vivo no lugar dela, porque Ele vive em mim.”

#JejumdeDaniel #Dia4

 

Leitura complementar:

Por que não recebi o Espírito Santo?

Resenha do livro Somos todos filhos de Deus?

Abrindo mão da própria vida

PS: Medite um pouco sobre isso. Amanhã conversaremos mais a respeito.

PS2: Sobre o “Somos todos filhos de Deus?” — Já li esse livro umas duzentas vezes, mas quando você relê algum livro que leu há mais de um ano, percebe coisas que não percebeu na leitura anterior, porque a gente muda muito pelas experiências que passa em um ano (na verdade, seis meses depois a visão já é outra, nem precisa esperar um ano…).

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Se desligue desse sistema e mude sua vida

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Uma das coisas que este mundo mais perdeu com a revolução digital foi o silêncio. Não necessariamente o silêncio que podemos experimentar com os ouvidos, mas o silêncio interior. Mesmo quando a pessoa está aparentemente em silêncio olhando para o celular, na verdade, está mergulhada no barulho das vozes que falam com ela no whatsapp, no Facebook, no Instagram, ou nas músicas que está ouvindo com earphones, nos jogos e até as vozes que narram, em sua cabeça, a história que ela lê em um ebook.

O barulho pode ser audível, mas também pode ser visual. Qualquer coisa que nos distraia e nos impeça de pensar sozinhos, em silêncio, pode ser considerada barulho.

Algumas pessoas se perguntam o que vão fazer no Jejum de Daniel para preencher o tempo, como se fosse uma espécie de crime ter tempo para ficar sozinho sem fazer aparentemente nada. Estamos acostumados a esse ritmo insano que foi cuidadosamente engendrado para criar um exército de pessoas impacientes, superficiais, ansiosas e com déficit de atenção artificialmente produzido. Nesse estado, a pessoa não consegue pensar com clareza, se tornando facilmente manipulável. E é justamente desse sistema que você precisa se desligar para aproveitar bem o Jejum e buscar o Espírito Santo.

Por isso, eu posso dar uma lista de indicações de livros, filmes e programas para você ver durante o Jejum, mas é importante que não preencha todo o seu tempo com essas coisas. Tire um tempinho para ficar sozinho, só você, Deus e sua Bíblia (eu uso um caderno também, para anotar o que não quero esquecer). Aproveite o silêncio. Pense no que tem ouvido na igreja. Se costuma fazer anotações das reuniões, releia as anotações e se lembre do que ouviu.

Fale com Deus. Converse com Ele o que você conversaria com alguém que pode resolver seus problemas e mudar sua vida. Seja sincero. Não precisa falar crentês, não precisa fazer uma oração empolada, cheia de palavras esquisitas. A oração do Publicano não teve lá grandes enfeites: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!”(Lucas 18.13), mas foi super eficiente, pois Jesus diz que ele desceu do Templo justificado. O que fez aquela oração ser ouvida por Deus? Duas coisas essenciais: humildade e sinceridade.

Vale a pena fazer um sacrifício para manter esse tempinho. Eu comecei a acordar uma hora antes para poder ter esses momentos de silêncio, oração e meditação na Palavra de Deus na hora em que todo mundo ainda está dormindo e sei que não serei interrompida por telefone, e-mail ou outros barulhos.

É bem provável que, conforme você desenvolva esse relacionamento diário com Deus, sua meditação na Bíblia complemente o que tem ouvido na igreja. Já aconteceu várias vezes de os temas sobre os quais eu e meu marido tínhamos meditado na Bíblia durante a semana aparecerem na reunião de domingo ou em uma campanha de fé. O Espírito Santo já preparando nosso espírito.

Também já aconteceu o contrário, é claro. Os temas das reuniões (eu anoto tudo) se tornam material para a meditação diária e Deus me faz entender mais ainda do que durante o culto. E se não entender o que estiver lendo na Bíblia, não tem problema, continue a leitura, você acabará entendendo. Pode dizer para Deus que não entendeu e pedir para Ele explicar depois (Ele existe, tá? Pode pedir essas coisas para Ele).

É essencial ir à igreja, mas seu relacionamento com Deus não pode se limitar às poucas horas que você passa na igreja durante a semana. E se você tem o hábito de ficar pensando sozinho, mas só pensa abobrinha, como eu fazia, a dica é: habitue-se a falar com Deus em vez de ficar pensando sozinho. E mantenha sua mente sintonizada na estação do Espírito, em vez de na estação da carne (falei crentês agora, eu sei).

No ônibus, a caminho do trabalho, vá orando (em seu pensamento, obviamente, não ore em voz alta na rua, please). Ore pelas pessoas na rua. No supermercado, a moça do caixa o tratou mal? Entenda uma coisa: às vezes Deus nos permite ver o pior lado de uma pessoa para nos mostrar que aquela pessoa precisa de ajuda — e não para que a critiquemos! Em vez de pensar mal dela, brigar com ela ou falar mal dela para os outros (por favor, não faça isso), sorria, trate bem e, ao sair dali, ore por ela.

Passamos por milhares de pessoas todos os dias. Interagimos com algumas, mas outras nunca mais passarão por nós. Nem sempre temos oportunidade de falar de Jesus para elas, mas alguém terá. Ore para que a pessoa esteja aberta para receber essa ajuda quando alguém puder alcançá-la.

Neste Jejum de Daniel, se você não tem o hábito de fazer essas coisas, comece a desenvolver esse hábito. Falar com Deus e pensar nos outros pelo ponto de vista dEle fará com que você feche uma porção de portas na cara do diabo. Faça isso a partir de hoje e quando você for à igreja novamente, verá a diferença.

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#JejumdeDaniel #Dia3

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Sua responsabilidade

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“Os retos fazem o seu caminho desviar-se do mal; o que guarda o seu caminho preserva a sua alma.” Provérbios 16.17

Os retos FAZEM o seu caminho se desviar do mal. Os retos GUARDAM o seu caminho e preservam sua alma. Olha só como nossa vida só depende da nossa atitude. O reto é agente da ação, ele não fica lá torcendo para não se encontrar com o mal, nem deixando a vida levar. Ele FAZ seu caminho se desviar do mal. Como ele faz isso? Sacrifica sua vontade de fazer o que não é certo (ou de não fazer o que é certo), evita coisas que sabe que prejudicam sua fé; não dá conversa para pensamentos negativos nem passa adiante o que não ajuda.

Em toda a Bíblia, uma coisa que fica bem clara é o nível de responsabilidade que temos sobre nossa fé e nosso destino. Tudo está em nossas mãos. Não adianta tentar culpar os outros, a situação, a vida, o passado, Deus, o diabo, não adianta tentar culpar ninguém. A responsabilidade é integralmente nossa.

“Portar-me-ei com inteligência no caminho reto. Quando virás a mim? Andarei em minha casa com um coração sincero. Não porei coisa má diante dos meus olhos. Odeio a obra daqueles que se desviam; não se me pegará a mim.

Salmos 101:2,3

Andar com coração sincero, escolher o que coloca diante dos olhos (e olha que naquele tempo não tinha internet e redes sociais…), manter distância dos que se desviam e odiar tudo o que eles fazem e produzem é guardar seu caminho, não é? É fazer seu caminho se desviar do mal. E assumir a responsabilidade de agir de modo a fazer seu caminho se desviar do mal é se portar com inteligência no caminho reto.

Assumir a responsabilidade pela manutenção da sua fé é se portar com inteligência no caminho reto. Ficar colocando a culpa nos outros e se deixando levar pelas circunstâncias e sentimentos é burrice. Mesmo que não seja lá muito fácil se colocar de volta nos trilhos quando a gente descarrila, essa é nossa obrigação.

Não tem essa de “ah, não tenho forças” ou “ah, não consigo”. Deus já prometeu fazer forte ao cansado e que tudo seria possível ao que cresse, então, é responsabilidade nossa ir atrás disso e buscar. Ele já prometeu que vai fazer a parte dEle e, por isso, corresponde às nossas atitudes. Então, pare de ficar dando desculpa e ouvindo as acusações dos monstrinhos na sua cabeça e faça o que precisa ser feito.

A responsabilidade de fazer o que é certo é daqueles que querem fazer o certo.

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#JejumdeDaniel #Dia2

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Não deixe criar este espaço

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Você já ouviu falar em expansão de tecido? Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, “Expansão de tecido é um procedimento relativamente simples, que permite ao corpo “gerar” pele extra para uso na reconstrução em quase todas as partes do corpo. […]”.

Trocando em miúdos, um balão vazio de silicone é inserido sob a pele e, aos poucos, ao longo de um tempo, o médico vai colocando soro fisiológico. De pouquinho em pouquinho, para aumentar o volume do balão gradualmente. De tanto esticar, a pele vai cedendo e as células do local se multiplicam para acomodar melhor aquele extensor aumentado.

No caso de cirurgia de reconstrução de mama, a ideia é criar um espaço extra para caber o implante. Inicialmente, o extensor é pequeno e não é o implante, mas o objetivo de quem o colocou ali é que, no final do processo, seja possível inserir uma prótese.

Espiritualmente, também existe um processo meio parecido. A diferença é que, enquanto o expansor físico, colocado pelo médico, é uma coisa boa (afinal de contas, serve para corrigir problemas), o expansor espiritual serve apenas para criar problemas. Quem faz o procedimento é um daqueles monstrinhos sugadores de energia que você conhece muito bem (os mesmos que ficam falando que ninguém gosta de você, que nada vai dar certo e que não tem mais jeito). Esse gremlin coloca expansores em nossa cabeça para caber um implante de pensamentos dele.

Esses expansores espirituais geralmente são coisas pequenas, aparentemente insignificantes e até inofensivas. Uma duvidazinha aqui, um probleminha tomador de tempo ali, uma informação sobre a vida de alguém acolá, uma lembrança do passado, um sentimento de culpa, um medinho, uma sensaçãozinha de ser vítima… Existem milhões de pequenas coisinhas que entram, sorrateiramente, sem grandes consequências aparentes, que servem apenas para aumentar o espaço que você dá ao mal.

Ele aproveita um cortezinho, uma ferida aberta, qualquer espacinho, por mais apertado que seja, para inserir o expansor. Se aproveita de um trauma, de um medo, de uma mágoa ou de uma fragilidade qualquer para trabalhar, pouco a pouco, preenchendo lentamente aquele balão com o lixo que ele traz. Se a pessoa não arranca o expansor, mas fica ali, aceitando que ele se encha cada vez mais, inevitavelmente ele será trocado por um implante de pensamento destrutivo. Pensamentos que levam à depressão, ao transtorno de ansiedade, a desistir daquilo que você mais queria e a cometer atitudes que jamais imaginava que pudesse cometer.

As coisas ruins não acontecem da noite para o dia. Elas são inseridas pequenininhas, como uma sementinha, e vão sendo infladas com negatividadezinhas aleatórias. E são essas coisinhas que, sem perceber, a gente deixa passar. São essas coisinhas que você, a partir de hoje, vai começar a barrar na sua vida.

Fique atento a tudo o que vem à sua mente e que você sabe que não lhe faz bem. Malícia, maus olhos, lembranças que trazem tristeza, sentimento de culpa, preocupações, vitimização, enfim, há um pequeno alarme dentro de cada um de nós que nos avisa quando algo nos faz mal, desde que estejamos suficientemente atentos e conscientes do que entra em nossa cabeça. Se não estava com o alarme antinegatividade ligado, ligue agora.

Se perceber algo dentro de você que se encaixa na categoria de “expansor” ou de preenchimento de expansor, arranque, imediatamente. Não colabore com quem quer destruir sua vida. Há um versículo bem objetivo que devemos ter em mente durante o nosso dia:

“Não deis lugar ao diabo.” (Efésios 4.27)

Não podemos nos permitir criar esse espaço. Temos o poder de dizer “NÃO” (assim, em caixa alta) a tudo o que tenta se instalar em nossa mente.

 

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#Jejum de Daniel #Dia 1

* Estamos em uma jornada de 21 dias de jejum de informações e entretenimento chamado Jejum de Daniel. Durante esses dias, os posts no blog serão voltados exclusivamente para o crescimento espiritual. Leia este post para entender melhor.

** Para quem não acompanhou ou para quem gostaria de rever os posts das edições anteriores do Jejum de Daniel neste blog, segue o link da categoria: http://lampertop.com.br/?cat=709 .

Pensamento de futuro catastrófico

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Da série “Identificando a voz do gremlin”— parte 5

Já falei aqui que você deve ter alergia a drama, não é? E não tem nada mais dramático do que a visão que o gremlin dá em relação ao futuro. Sim, porque grande parte dos pensamentos que ele planta em nossa mente diz respeito ao futuro (próximo ou distante) e a coisas sobre as quais não temos o menor controle. Vamos à quinta característica que vai lhe ajudar a identificar um pensamento gremliniano:

Previsão de futuro catastrófico — O gremlin é o Nostradamus da novela mexicana. Segundo ele, o mundo vai acabar todo dia. Qualquer coisinha, por menor que seja, é capaz de destruir o universo. Ele quer convencê-lo de que, se você fizer (ou não fizer) determinada coisa, sua vida acabará para SEMPRE (olha o drama e o termo definitivo aí). Ou então, porque você fez (ou não fez) outra coisa, está tudo arruinado e NUNCA MAIS vai ter outra chance para você.

Mas COMO RAIOS ele consegue prever o futuro? Não consegue! O que ele tenta fazer é convencer você de que aquele futuro sombrio é a verdade. Usa muito drama, é claro (sem drama não há catástrofe). Algumas pessoas se convencem tanto que chegam a fazer o futuro sombrio que o gremlin previu acontecer. Por exemplo: você pensa que algo não vai dar certo e se hipnotiza com essa ideia de tal forma que age de modo contrário ao que deveria agir para fazer dar certo.

Ou então, o gremlin lhe diz: “ninguém gosta de mim, todo mundo me acha esquisito” e você, por acreditar nisso e olhar as pessoas mal, achando que elas não gostam de você, age de modo esquisito com elas, pois não reage ao que realmente está acontecendo e, sim, ao que ocorre dentro da sua cabeça.

Você age de modo esquisito, mantendo distância, e elas apenas reagem aos sinais que você envia. Você, então, interpreta essas reações como confirmação de que NINGUÉM gosta de você. Olha que coisa de doido! É o que a ciência chama de “profecia autorrealizável”, a gente mesmo faz acontecer por acreditar muito nela.

Gremlins fazem festas gremlinianas para comemorar esse tipo de atitude, pois só abre mais espaço para eles, que começam apenas sugerindo pensamentos na cabeça da pessoa e daqui a pouco já estão tomando banho de piscina dentro do cérebro dela. Bora começar a acreditar em coisa que preste?

Não lhe parece muito mais útil usar esse poder que sua cabeça tem para definir as coisas que você quer? Começar a dizer e a pensar coisas boas a respeito de si mesmo, começar a esperar o melhor e a procurar confirmações de que essas coisas boas acontecerão?

Por isso — e lá vou eu bater nessa tecla — é absolutamente necessário que você alimente seus pensamentos com aquilo que é bom, puro, justo, verdadeiro e que o coloca para cima. E se mantenha longe do que lhe faz mal, ainda que seja algo de que goste muito. O sacrifício vale a pena. Afinal de contas, é do seu futuro que estamos falando.

Se o passado foi ruim e o presente não está sendo lá grandes coisas (e vice-versa), pelo menos o seu futuro você pode fazer ser diferente. Para isso, é preciso total atenção às suas atitudes e pensamentos AGORA. Desenvolvendo intolerância a esse padrão negativo agora, você evita viver por ele no futuro. E, vá por mim, seu eu de amanhã irá lhe agradecer.

Parte 1: Tudo eu

Parte 2: Pensamentos gerados por sentimentos.
Parte 3: Adjetivitis negativus aguda

Parte 4: Não generalize

Parte 5: Pensamento de futuro catastrófico

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*Para quem está chegando agora: “gremlin” é como chamo os monstrinhos invisíveis que imagino sentados em nossos ombros sugerindo pensamentos negativos. Eu os imagino com aquela cara dos monstrinhos do filme Gremlins, principalmente para não querer um troço desses no meu ombro. 

Sobre a saída dos canais abertos da TV paga

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Record, Rede TV e SBT criaram a Simba Content para lutar contra a situação desigual que há no mercado televisivo. Na verdade, essa situação não é de hoje, mas é a primeira vez que emissoras se unem para peitar a concorrente que ainda acha que manda no Brasil. A luta dessas empresas é por espaço e por uma concorrência mais justa, mas creio que podemos aproveitar essa luta para engatar a luta dos consumidores de TV e dos brasileiros, em geral, contra a manipulação e o poder irrestrito que a rede Globo ainda exerce neste país. 

Essa questão da TV a cabo está mal explicada por grande parte dos meios de comunicação, que se limitam a copiar e colar o que as empresas dizem. Não explicam, por exemplo, que essa discussão não é de hoje e que o problema principal também não é de hoje. A Globo exerceu controle sobre a Net e a Sky como proprietária e acionista por muitos anos, até que, forçada pela lei e por suas muitas dívidas, buscou novos sócios e começou uma manobra para se retirar do controle da operação dessas empresas, mas sem perder o poder de veto sobre os canais. Sim, apesar de sair do controle operacional da Net e da Sky (porque foi obrigada a isso), ela manteve o poder de vetar canais nas operadoras que controlava. Além, é claro, de ser dona de 61 canais na TV fechada…alguém acha que ela não usa essa influência na negociação com as outras operadoras?

Talvez por isso as empresas de TV a cabo paguem pelo sinal aberto da Globo e não só por seus canais fechados (e o consumidor também, afinal de contas, está tudo no pacote). Mas na hora de pagar pelo sinal digital da Record, Rede TV e SBT, dizem que terão de aumentar a mensalidade… é claro, muito “pobrinhas” são essas empresas de TV a cabo, não é mesmo? Suas mensalidades são tão baratinhas e elas têm tão poucos assinantes que nunca conseguiriam pagar três canais a mais…quanto é mesmo o faturamento delas? E o dono da Net, Claro e Embratel, o bilionário mexicano Carlos Slim, não é um dos homens mais ricos do mundo? Por favor, né? Alguém REALMENTE acredita que essas empresas podem pagar a Globo, mas não podem pagar três emissoras produtoras de conteúdo sem repassar esses valores ao consumidor? Alguém realmente acha que o assinante já não está pagando há muito tempo por esses canais?

Mas esse é o modus operandi delas: ameaçam o consumidor para que ele fique bem quietinho no canto dele, sem questionar, sem reclamar. O problema é que os mais afetados por essa situação não têm força para se defender. Há locais no Brasil em que o sinal aberto é ruim e para assistir a essas emissoras de sinal aberto as pessoas precisam de TV a cabo.

Defendo o direito das pessoas assistirem ao que quiserem, principalmente se está em contrato. É esse direito de escolha que precisa ser assegurado, não importa se você gosta ou não de canais de TV aberta e se assiste a eles ou não. Defender o direito do outro é ter consciência de seu papel como cidadão. País que vive na base do cada um por si não vai para frente e vive escravo de corruptos, estejam eles na política, em corporações multinacionais ou em monopólios de comunicação.

A luta do consumidor é pelo direito de escolher. Na prática, parece claro que a globo ainda tem forte influência nas operadoras de TV a cabo. Também parece haver um esforço para manipular os consumidores ao tirar deles opções e o poder de escolha. Aliás, isso não é novidade. Ameaçadas pelo youtube e por serviços de streaming como Netflix, as operadoras tentaram até limitar a internet dos brasileiros recentemente, lembra? 

Admiro a coragem das emissoras que formam a Simba Content em se unir para enfrentar o monstrengo global que historicamente engolia com jogo sujo e perseguições todos aqueles que ousavam se levantar contra ele. 

O Brasil não é mais o mesmo que Roberto Marinho tinha nas mãos. A Globo há tempos perdeu o controle absoluto que tinha sobre as massas e sobre o mercado, mas, apoiada por multinacionais que se instalam aqui mais preocupadas com seus próprios interesses do que com a qualidade do serviço que se propõem a oferecer, essa emissora continua exercendo um poder que não deveria mais possuir. Poder esse que ainda é capaz de colocar no topo quem ela quiser e destruir o que for, desde que ganhe com isso. Por essa razão, apoio qualquer investida contra essa hegemonia forçada e compro a briga, que também é minha. É de todos nós. Enquanto houver tratamento desigual entre as emissoras, o Brasil viverá refém da rede Globo.

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PS: Boa explicação do Marcelo de Carvalho, da Rede TV sobre o que é a Simba e a situação atual: https://tvuol.uol.com.br/video/16159918/

E o comunicado oficial dele: https://www.youtube.com/watch?v=smGZh21ZNLQ

PS2: É sempre bom lembrar a quem ainda não assistiu: existe um documentário antiguinho, mas muito educativo, chamado Muito além do Cidadão Kane, sobre o poder paralelo exercido pela Globo ( https://www.youtube.com/watch?v=s-8scOe31D0 ). A Globo não é conhecida por jogar limpo com seus concorrentes e sempre preferiu ganhar no tapetão e tirar do público as opções de escolha a brigar de forma justa em igualdade de condições. Para conhecer um pouco mais sobre a história e entender melhor a emissora, recomendo a leitura do livro “O quarto poder”, do jornalista Paulo Henrique Amorim .

UPDATE: As operadoras agora estão trabalhando com desinformação, tentando fazer com que as pessoas acreditem que a culpa é das emissoras e elas não têm nada com isso. Pena que já cancelei a TV a cabo, senão cancelaria de novo, só de raiva. Só para esclarecer: As emissoras podem, sim, cobrar pelo conteúdo digital e isso está sendo discutido desde 2013, olha só (matéria de 2013): “Durante debate no congresso da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), em São Paulo, representantes da Band e do SBT afirmaram que o conteúdo digital terá custo maior, que poderá tanto ser assumido pelas emissoras abertas quanto pelos assinantes de TV a cabo, caso o valor seja repassado às operadoras de TV por assinatura, que poderão dividi-lo entre a base de clientes.” (Na verdade, nem seria necessário repassar aos clientes, pois as operadoras de TV a cabo já cobram mensalidades suficientemente altas para cobrir esse custo.) PS do Update: Ignore o título sensacionalista do link (Veja sendo Veja, né?), a matéria não diz que o telespectador teria que pagar, mas dá a entender que ficaria a critério da empresa de TV a cabo repassar ou não e depois diz que o valor seria baixo e não atingiria o consumidor. http://veja.abril.com.br/…/espectador-pode-pagar-por…/ 

Não generalize

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Identificando a voz do gremlin — Parte 4

Outra característica forte de pensamentos gremlinianos é a presença de termos definitivos e generalizações, como: sempre, nunca, ninguém etc. — As coisas na vida real dificilmente podem ser generalizadas ou definitivas. Acho que definitivo, só a morte e, mesmo assim, não é tão definitiva, já que a vida continua depois dela.

Essa, aliás, é uma das características mais comuns e é o que leva muitas pessoas a tomarem decisões definitivas (como o suicídio) na tentativa de solucionar um problema. O pensamento errado as leva a ignorar o fato de que todo problema é temporário. Elas veem tudo como extremo e…dramático. Sim, porque não tem nada mais dramático do que algo definitivo. “Eu NUNCA vou ser feliz.” “Eu NUNCA vou conseguir isso.” “Eu NUNCA vou mudar.” “As pessoas SEMPRE me acham ridícula.”

Encontrei um bom exemplo disso em um dos meus diários antigos, de 1999 (eu tinha 19 anos e o problema não era adolescência, era depressão, que, com altos e baixos, me acompanhou até 2009). Sente o drama:

“Estou exausta, de saco cheio de TUDO e de TODOS, não aguento mais os mesmos problemas, as mesmas conversas, os mesmos dilemas. Eu não aguento mais esse NADA COMPLETO. Será que eu NUNCA me recuperarei? Será que NUNCA reconstruirei? NADA será como antes. Eu NUNCA serei como antes. O que eu esperava que fosse? Sinceramente, eu confesso que não esperava NADA, nem de antes, nem de agora (muito menos).”

Praticamente um texto psicografado por gremlin. Às três horas da manhã, em uma das muitas madrugadas que eu passava em claro pensando abobrinha (conversando com gremlins). Puro sentimento burro. Se houvesse mediação de raciocínio lógico aí, perceberia que nenhuma dessas generalizações era correta.

Por exemplo, se você fosse fazer uma lista de TODAS as coisas e pessoas que existiam na minha vida, eu provavelmente estaria de saco cheio de 10% delas, no máximo. E por razões que diziam mais respeito a mim do que a elas. Mas, sem pensar, eu realmente sentia que era algo que poderia generalizar. Eu sentia como se estivesse cansada de TUDO, mas não estava realmente cansada de TUDO.

E quanto ao “eu confesso que não esperava NADA, nem de antes, nem de agora”, obviamente eu esperava alguma coisa de antes e do momento em que escrevia isso, caso contrário não me sentiria frustrada. Se você espera NADA, não se frustra ao encontrar o que esperava rs. Por fim, eu sentia que nunca seria feliz, sentia um vazio (o “completo nada” que menciono no diário) e de tanto repetir essas palavras definitivas, sentia que era algo impossível de mudar. 

Sim, porque há um segredo nessa repetição de nadas, nuncas, tudos e sempres. A repetição de palavras generalistas e definitivas é uma forma do gremlin nos hipnotizar com a sensação de que nunca conseguiremos nada. Não importa se faz sentido ou não, só o que importa é a sensação que nos traz. É com isso que ele trabalha e é nisso que nos enrola.

Uma coisa que você deve saber a respeito de textos escritos, falados ou pensados: cada palavra importa. Em seus textos, preste atenção a cada palavra. Você realmente está dizendo o que quer dizer? O que está dizendo é realmente verdade? Realmente tem lógica? Será que esse NADA quer dizer NADA, mesmo? Nem uma coisinha? Se eu me perguntasse: “como assim ‘não aguento esse nada completo’? Será que minha vida realmente tem sido um nada completo?” Seria obrigada a admitir que existiam algumas coisas boas, que eu simplesmente desconsiderava.

Aprenda outra coisa: generalizações empobrecem o discurso. Você poderia focar dez coisas específicas, mas generaliza em uma só. Teríamos um texto bem mais rico se eu descrevesse as coisas boas que estavam acontecendo na minha vida, as coisas legais e as possibilidades para resolver aquilo que me incomodava (se eu conseguisse pelo menos descrever quais sentimentos exatos estavam me incomodando) — ou lidar melhor com o que eu não poderia mudar. Mas não havia espaço para isso, somente para reclamações e frases de efeito sem lógica, que só serviam para alimentar sensações e sentimentos.

É claro, eu sei que quanto mais longe estamos de Deus, mais insatisfeitos ficamos com TUDO à nossa volta. Mas o contrário também é verdade. Quanto mais aprendemos a valorizar o que temos, quanto mais focamos naquilo de bom que temos, quanto mais observamos o que é bom e menos foco colocamos no mal, mais conseguimos nos aproximar dEle.

Eu me lembrei de algo que li no Casamento Blindado, capítulo 20. É a ferramenta número 3, que deve ser aplicada no casamento, mas também vale para seu relacionamento consigo mesmo. Já disse que tudo o que se propõe a ajudar no casamento (Casamento Blindado, The Love School, Terapia do Amor etc.) também pode ser aplicado ao nosso relacionamento conosco. Vou colar aqui um trechinho dessa ferramenta, que pode ajudar a quem está nesse processo de reconstrução da mente:

3. Não generalize 

Não importa como você completaria essas frases: “você nunca…” ou “você sempre…”. Ambas causarão problemas. Não use o pincel de uma situação para pintar todo o caráter do seu companheiro. “Você sempre faz o que quer, nunca o que eu quero”, “você nunca me ouve”. Esse tipo de afirmação raramente é verdadeira, e só serve para aborrecer seu companheiro.  Lide com as situações individualmente e resista à tentação de relacionar o problema atual a um problema passado. Cuidado com as palavras nunca, sempre, nada, tudo e toda vez. São palavras absolutas e não deixam opção. Evite-as. […]”

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Parte 1: Tudo eu

Parte 2: Pensamentos gerados por sentimentos.
Parte 3: Adjetivitis negativus aguda

Parte 4: Não generalize

Parte 5: Pensamento de futuro catastrófico

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*Para quem está chegando agora: “gremlin” é como chamo os monstrinhos invisíveis que imagino sentados em nossos ombros sugerindo pensamentos negativos. Eu os imagino com aquela cara dos monstrinhos do filme Gremlins, principalmente para não querer um troço desses no meu ombro. 

 

 

Tudo é um grande treinamento

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Depois que você fica mais alerta e começa a monitorar sua cabeça para corrigir os erros de pensamento, é natural que o gremlin mude de tática e comece a criar situações diferentes com as quais você não sabe ainda lidar. Veja isso como um bom sinal, finalmente você está dando trabalho para ele! Antes, ele colocava os erros de pensamento em piloto automático e você sempre caía, feito um patinho.

Mas e como lidar com coisas que você ainda não sabe como lidar? Bem, o que você precisa saber é que essas coisas não são lá tão diferentes das coisas com que você sabe lidar. Você está dando trabalho para ele, mas ele não é muito criativo. Trabalha com aquilo que sabe que funciona dentro das reações que você costuma ter.

Veja tudo como um grande treinamento. Como provas de um reality show tipo “O Aprendiz” rs. O que você quer? Qual é o seu objetivo? O meu é me tornar uma pessoa melhor, agradar a Deus. Quero ser alguém com quem Ele possa sempre contar. Então, por exemplo, se estou sendo injustiçada, se as pessoas estão distorcendo as coisas a meu respeito, o que vai contar aqui é como vou reagir a isso.

Já que não podemos mudar as situações, vamos nos concentrar em nossas reações e objetivos. Qual reação vai me ajudar a alcançar meu objetivo? Ficar magoada ou me sentir injustiçada me ajuda a alcançar meu objetivo? Não. Pelo contrário, me afasta dele.

A partir do momento em que consigo identificar qual é a prova da qual estou participando, posso escolher a melhor reação que devo ter (e sacrificar todas as outras reações, mesmo as que tenho vontade de ter, as que seriam meu impulso inicial).

Sim, podemos escolher nossas reações. Ainda que seja difícil no começo, ainda que só comece a se dar conta e a mudar a sua reação depois de um tempo de reação errada, é possível mudar a direção e começar a acertar.

Controlando seus sentimentos e não se deixando guiar pelas sensações agora, você terá a satisfação de fazer o que é certo. Afinal, sentimento por sentimento, a sensação de saber que passou na prova e foi aprovado para a próxima etapa é infinitamente melhor.

 

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*Para quem está chegando agora: “gremlin” é como chamo os monstrinhos invisíveis que imagino sentados em nossos ombros sugerindo pensamentos negativos. Eu os imagino com aquela cara dos monstrinhos do filme Gremlins, principalmente para não querer um troço desses no meu ombro. 

Adjetivite negativus aguda

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Identificando a voz do gremlin — Parte 3 

Além de serem centralizados no “eu” e de terem forte componente emocional negativo, outra característica importante de grande parte dos pensamentos prejudiciais é a presença de adjetivos negativos. Exemplo: horrível, terrível, insuportável, incapaz, impossível etc. Faz parte do drama. Ou é o material de construção do drama. Nem todos vêm com adjetivos, mas é muito comum que venham e já vou explicar por quê.

Adjetivite negativus é uma doença gravíssima (que eu acabei de inventar) que gera na pessoa uma compulsão por rotular tudo e todos com um adjetivo negativo desnecessário, deixando tudo pior do que já é.

Não foi simplesmente o atendente da lanchonete que trouxe com bacon o sanduíche que você pediu sem bacon. Foi o atendente burro da lanchonete horrorosa que trouxe com um bacon nojento o sanduíche que você pediu. A essa altura do campeonato, um problema que seria naturalmente ruim, já se tornou um desastre.

As coisas acabam sendo mais pesadas do que deveriam ser e esse é um tijolinho no grande edifício do estado de drama, da depressão, da ansiedade e da sensação generalizada de que nada nunca vai dar certo. E esses são alguns dos muitos estragos que essa doença causa na pessoa. Pensamento negativo gera vida negativa. 

Sem contar quando esses adjetivos negativos vêm relacionados a você mesmo: burro, inútil, idiota, incompetente, incapaz, inferior, etc. Só servem para colocá-lo para baixo e enfraquecer seu espírito. Vai por mim, você não precisa disso.

Vamos ao nosso amigo dicionário: 

Adjetivo: Palavra que modifica um substantivo, expressando uma qualidade, uma característica ou uma quantidade daquilo a que se refere.

Note que o adjetivo não é um elemento neutro. Ele modifica o substantivo. Algo que tinha um significado sem o adjetivo, adquire um novo significado com o adjetivo. Uma menina é apenas uma menina. Mas se você coloca um adjetivo, ele modifica a menina aos seus olhos e aos olhos da gramática: menina bonita é diferente de menina feia, que é diferente de menina burra, que é diferente de menina inteligente, que é diferente de menina ridícula, que é diferente de menina alta, etc. “Um carro” pode ser qualquer carro. Mas um carro azul é específico. E é diferente de um carro verde, que é diferente de um carro vermelho…

Adjetivos são assim, diferenciam as coisas, as pessoas e as situações. Eles podem ser negativos ou positivos, mas não acredito em adjetivos neutros. Carro azul é neutro? Depende do contexto. Se você gosta de azul, ele é melhor que um carro de outra cor. Mas se você não gosta de azul, ele é pior. Talvez a palavra “neutro” pudesse ser um adjetivo neutro. Mas se você pensar bem, quando eu digo que algo é neutro, de alguma forma é um rótulo que faz você enxergar esse algo de uma maneira específica, não?

Enfim, quando coloca um adjetivo, você dá ao adjetivado algo que vai fazer com que ele tenha um peso diferente do que teria sem o adjetivo. Adjetivos, em si, não são necessariamente ruins. Eles nos ajudam a definir melhor o mundo e, por isso, devem ser muito bem escolhidos. O problema não é o adjetivo, em si. O problema são adjetivos negativos utilizados sem critério (e quase compulsivamente) em nossas palavras ou pensamentos.

A adjetivite negativus é transmitida por picada de gremlin. Assim que o monstrinho que vive empoleirado no seu ombro começa a sugerir pensamentos negativos na sua cabeça e você os aceita como verdade, ele inocula um veneno que faz com que tudo comece a ser pintado com as cores que ele escolher.

Alguns pensamentos gremlinianos vêm recheados de adjetivos negativos justamente porque eles precisam modificar sua visão a respeito das situações, pessoas, eventos e de si mesmo. E, para modificar a visão (para o bem ou para o mal), o primeiro passo é modificar as palavras usadas para definir a coisa retratada.

Ao usar palavras negativas para definir algo, você direciona sua interpretação para o lado negativo — por isso é importante cuidar as palavras que saem da sua boca ou para as quais você faz um ninhozinho na sua cabeça. Você pode escolher quais vai manter e quais vai rejeitar.

O direcionamento de interpretação pode ser feito tanto por meio dos adjetivos negativos quanto pela presença de termos definitivos e generalizações. Mas isso é assunto para outro post. :-) .

Parte 1: Tudo eu

Parte 2: Pensamentos gerados por sentimentos.

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*Para quem está chegando agora: “gremlin” é como chamo os monstrinhos invisíveis que imagino sentados em nossos ombros sugerindo pensamentos negativos. Eu os imagino com aquela cara dos monstrinhos do filme Gremlins, principalmente para não querer um troço desses no meu ombro. 

 

Interpretando certo

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Há sempre mais de uma alternativa para interpretarmos as situações que nos acontecem, mas quando estamos viciados no padrão negativo, vamos no piloto automático e temos muita preguiça de pensar em outras possibilidades. Afinal de contas, é mais fácil e mais rápido fazer o que já estamos acostumados a fazer — e nosso cérebro trabalha em modo de economia de energia. Quanto menos esforço, melhor para ele. Então, a tendência natural da natureza humana é sempre buscar o caminho do menor esforço.

E minha teoria é que as emoções ativadas pelo gremlin têm como função induzir o cérebro da pessoa a esse estado de piloto automático. As emoções negativas e as ruminações sobrecarregam tanto o sistema que a pessoa (que nem sabe que tem um gremlin ali — a menos que leia este blog rs) não consegue reagir. A menos que leia este blog! Porque assim que você tem a consciência do que o gremlin está fazendo, tomou a pílula vermelha e não tem mais jeito. Pode — e deve — reagir.

Você quer uma nova vida. Quer uma nova mente. Então, vai quebrar essa tendência natural buscando o caminho do sacrifício. É mais difícil pensar em uma forma melhor ou positiva de interpretar aquela situação? É. Mas você sacrifica a preguiça mental e decide pensar o melhor de você, da situação e da outra pessoa.

Ela o tratou mal e sua vontade é pensar que ela te odeia porque você é irritante (pensando mal dela e de si mesmo) ou porque ela é invejosa, afinal de contas, você não fez nada (pensando mal dela e com pena de si mesmo)? Ou — pior — sua vontade é sair “desabafando” por aí sobre como tal pessoa é grossa e insensível (pensando mal dela, com pena de si mesmo e ainda falando mal dela).

Respire fundo e escolha a terceira interpretação: você não tem como saber o porquê (não tem mesmo! A menos que a pessoa lhe diga — e olhe lá!). Ela pode estar exausta, pode não ter dormido bem, pode estar passando por um problema muito sério com o qual não sabe lidar e acaba descontando nos outros. É melhor sempre partir do pressuposto de que todas as pessoas são boas. Ninguém quer ser ruim, ninguém quer errar. As pessoas erram porque não sabem lidar com as coisas.

Que tal olhar essa pessoa como alguém que está travando suas próprias batalhas e que talvez precise de ajuda? Assim, em vez de focar a sua reação em VOCÊ, dando espaço ao gremlin para ficar falando no quanto você foi desprezado por aquela pessoa, você vai focar nela, dando a ela a mesma compaixão que você gostaria de receber, pedindo a Deus que fortaleça essa pessoa e a ajude a lidar com as dificuldades que tem passado. Afinal de contas, você pode nem saber quais são essas dificuldades, mas Ele sabe. E talvez tenha colocado aquela pessoa no seu caminho para lhe mostrar alguém que precisa de sua ajuda — mesmo que seja em oração silenciosa.

 

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PS: Esse é um antídoto às lentes verdes do gremlin. É uma excelente forma de neutralizá-las e eliminá-las de vez. E uma excelente forma de ocupar seus pensamentos com algo realmente útil.

PS2: Para quem chegou agora: gremlin é como chamo o monstrinho que imagino sentado no ombro da pessoa, sugerindo pensamentos negativos. Sobre as lentes verdes, segue um resumo do post em que expliquei isso: os pensamentos gremlinianos induzem a um estado de drama que cria uma espécie de lente de contato verde (que é a cor do gremlin rs) que faz com que absolutamente tudo o que você vê se torne verde. Essa lente distorce tudo o que chega até você e carrega tudo com um drama que nem sempre existe (na verdade, na maioria das vezes não existe, mas parece muito que existe). É o que faz você se sentir a última das criaturas, incompetente, inútil ou a vítima indefesa de pessoas cruéis. A protagonista da sua novela mexicana pessoal.

Essas sentimentos moldam nossa forma de ver o mundo. Deixamos de ver o cenário real, com dados verificáveis, e criamos uma realidade paralela em que tudo é verde. Essas lentes interpretam o que os outros nos dizem, nos fazendo procurar sempre indícios daquilo que tememos (ou em que acreditamos) de modo a tentar confirmar nossos medos, dúvidas e crenças que o gremlin está tentando desesperadamente plantar em nossa cabeça.

As lentes verdes dadas pelo gremlin tentam encaixar tudo naquele cenário de caos que ele pintou. A partir do momento em que você duvida daquele monte de coisa verde (porque, por favor, né, amigo, como TUDO pode ser verde na vida?) o mundo de terror e drama montado pelo gremlin começa a ruir e você passa a usar sua inteligência para sair dessa armadilha. É o que temos feito nessa série “Renovando a Mente”.

PS3: Para ver todos os posts da categoria Renovando a Mente, clique aqui 

PS4: Eu REALMENTE ACHO que a pessoa vai ler SEIS parágrafos e um PS sem saber o que é gremlin e vai ficar ok em descobrir isso só no PS2 (e vai ler tudo, mesmo ele sendo praticamente outro post)! O otimismo Vanessístico é inacreditável hahahaha

Pensamentos gerados por sentimentos

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Identificando a voz do gremlin — Parte 2

Já falamos no post anterior sobre os pensamentos gremlinianos serem centrados no “eu”. A segunda característica é a presença de forte componente emocional negativo: medo, raiva, pena de si mesmo, sensação de estar sendo agredido, de não merecer (ou de merecer, mas com muita dor por ter merecido), insegurança…enfim, sempre há um sentimento negativo presente com bastante intensidade — e às vezes mais de um.

É essa emoção que alimenta o pensamento. Às vezes essa emoção é o que gera o pensamento. Por exemplo, você começa a pensar que nunca vai conseguir aprender a dirigir. Se você é uma pessoa que já sabe dirigir ou se você tem certeza de que uma hora vai aprender, o pensamento de nunca conseguir não vai ter espaço. No entanto, se você se sente inferior e inseguro e tem medo de, por isso, nunca conseguir aprender alguma coisa; então, esses sentimentos podem criar o pensamento de “nunca vou aprender a dirigir”.

Alguns até desistem porque não querem encarar a frustração que confirme o que tanto temiam. Dirigir é algo que você não pode fingir saber. Ou aprendeu ou não aprendeu. E lá vai você, que se sente uma fraude, ficar com medo de descobrir que não consegue aprender algo que não possa fingir que sabe.

Esse é um pensamento gerado por três sentimentos: insegurança, sentimento de inferioridade e medo. O pensamento, então, começa a ser alimentado pelo medo e, duvidando da sua capacidade, você não consegue prestar atenção ao que ensinam e faz tudo errado. O gremilin, então, aponta seus erros e o convence de que esses erros confirmam o pensamento de que você é incompetente demais para aprender a dirigir.

Transporte esse modelo para qualquer outra área da sua vida. Teste os principais pensamentos gremlinianos que atormentaram você e veja como sempre há mais sentimentos negativos do que raciocínio lógico. A pessoa parte de uma premissa falsa, baseada em uma emoção, e constrói toda uma cidade em cima dela. O problema é que, se a premissa é falsa, o fundamento é falso e toda a cidade é falsa. 

O gremlin dá uma sugestão que faz surgir um sentimento que gera um pensamento que gera atitudes que confirmam o pensamento. E a pessoa começa a viver uma realidade paralela, uma fantasia em que ela é um ser infeliz de quem ninguém gosta e para o qual tudo dá errado. Você precisa entender que está vivendo uma realidade falsa para começar a usar a lógica contra os pensamentos gremlinianos.

Por isso eu disse que é importante entender que você tem se hipnotizado há anos com esses pensamentos negativos e que, para fins de desintoxicação, o melhor é considerar como mentira TODOS os pensamentos que colocarem você para baixo. Tudo aquilo que vier acompanhado de sentimentos negativos está vindo para mantê-lo escravo dessa realidade negativa falsa que tanto tem tirado a sua paz. Mas felizmente agora o gremlin foi desmascarado e você tem recebido ferramentas para lutar contra ele, tomando as decisões no lugar em que elas devem, de fato, ser tomadas: na cabeça.

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*Para quem está chegando agora: “gremlin” é como chamo os monstrinhos invisíveis que imagino sentados em nossos ombros sugerindo pensamentos negativos. Eu os imagino com aquela cara dos monstrinhos do filme Gremlins, principalmente para não querer um troço desses no meu ombro. 

 Se quiser entender melhor a referência, leia esses dois posts do Jejum de Daniel:

Dando crédito à voz do gremlin

O estado de drama e as lentes verdes do gremlin