Quando água se move sob seus pés

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No começo, foi como se eu tivesse perdido o controle do mundo. De repente, ele começou a girar de forma acelerada, em outra rotação, e tentei fazê-lo parar para eu descer, mas foi inútil. Então, resolvi tentar me adaptar. Talvez se eu tivesse aprendido a surfar, teria sido mais fácil. Manter-se em pé em cima de uma onda louca feita de água, que tenta se erguer e atirar seu corpinho minúsculo contra uma pedra qualquer. É mais ou menos o que a gente faz nesses períodos mais doidos da vida. É um desafio e você tem de ser firme, mas flexível. Nem tudo vai sair do jeito que você quer, mas sua obrigação é fazer o melhor que pode. O seu melhor talvez não seja o que você idealizou, mas o importante é que seja excelente. O melhor que consegue fazer naquele momento. Você pode aprender a fazer as coisas de uma maneira diferente por causa da dificuldade. Pode aprender que a forma do seu colega fazer um determinado trabalho (e que talvez não seja a maneira que você considera a melhor/mais perfeita/que você faria) tem suas qualidades (e talvez seja até mais eficiente do que a que você achava perfeita…).

Pode aprender tanta coisa se parar com essa mania idiota de querer ter o controle do universo. Não se deixe levar pela correnteza, mas não sofra por cada onda que não conseguir controlar. Lembre-se de que pode contar com a ajuda de Quem anda sobre as águas, acalma as ondas e, se a coisa fica muito complicada, abre um caminho impossível no meio do mar. Se sua confiança está em Quem sabe o que está fazendo, é muito mais fácil se manter de pé em qualquer onda. Ao parar de reclamar ou de sofrer por não ter o mapa do deserto, você aprende a tirar proveito até das dificuldades. O que antes era uma muralha à sua frente se torna uma parede ao seu lado, para delimitar o caminho e ajudá-lo a não se desviar.

Certa vez, Jesus chamou Pedro para andar sobre o mar, no meio de uma tempestade. Ele caminhou sobre as águas, olhando para Jesus. Mas quando olhou para a força do vento, teve medo e afundou. Jesus o salvou e quis saber por que ele duvidou. Por que ter medo, se você sabe Quem está com você nessa tempestade? Tudo é possível para Ele, que é Senhor sobre o vento, sobre o mar, sobre os problemas, sobre tudo. Se a sua vida está nas mãos dEle e se a sua confiança está na Palavra dEle, não se impressione com a força do vento nem com a água que se move sob seus pés.

* Mateus 14:29-31

Guerra contra o sentimentalismo

 

Estou fazendo o Desafio Godllywood, que é uma série de tarefas para mulheres que querem melhorar emocionalmente, fisicamente e espiritualmente. Preferi não fazê-los na ordem, mas fui escolhendo os que seriam mais importantes para mim neste momento. Também não estou fazendo um por semana, escolhi combinar vários, de acordo com o que consigo, para fazer bem direitinho e em um ritmo mais intensivo, que tem mais a ver comigo. Todos eles têm alguma espécie de divulgação em redes sociais. Uma frase, uma foto, cada desafio vem com uma orientação de divulgação, para provar que estamos fazendo. Quando você torna uma tarefa pública, é natural que se comprometa mais com ela. No entanto, o que eu acho mais legal em publicar meus desafios, é a oportunidade de ajudar outras pessoas, passando o que aprendi. Como o desafio de hoje acabou rendendo um texto relativamente grande, preferi transferi-lo para o blog, assim consigo ajudar um número maior de pessoas e a informação não se perde. Colo aqui o enunciado do Desafio Godllywood 83:

“Entre em guerra contra os sentimentos e as emoções. Quando for surpreendida pelo medo, ansiedade ou pena de si mesma, reaja imediatamente usando a sua razão. E o que é a razão? Abrir a mente, pensar! Na hora que precisamos decidir ou resolver coisas, não podemos nos deixar sentir coisas – temos que usar a fé inteligente.

Usando o exemplo da moda do jeans rasgado: é um fato que nem todo mundo gosta e, até aí, não tem problema algum – é questão de gosto. Agora, quando se começa a criticar a pessoa que gosta, não seria isso uma maneira de reagir com a emoção? Quem planta emoção, colhe emoção – e emoção não leva ninguém a lugar algum.

Cuidado, meninas, sejamos sábias! Não é à toa que a Bíblia nos ensina a ser sábias e não sentimentais. Essa semana, pense como você tem reagido ultimamente e se suas emoções têm lhe atrapalhado nessas horas. Procure reagir na razão em tudo.

Até o fim da semana, poste o seguinte na nossa página do Facebook: Eu uso a minha razão para resolver meus problemas. #DesafioGodllywood83”

Escolhi esse desafio porque seria um dos mais difíceis de fazer nesta semana. Meu sogro estava na UTI desde dezembro. Foram meses de muita oração e muito complicados para nós. Para mim, especificamente, acompanhar, ainda que à distância, aquela rotina de UTI, com paciente piorando e melhorando a cada visita, era uma espécie de tortura, porque me fazia lembrar o que eu senti quando meu marido esteve hospitalizado. Eu combatia aqueles sentimentos com a fé, mas o desafio me fez racionalizar claramente o que eu tinha que fazer. E me deu um roteiro muito específico, que me ajudou nos últimos dias.

Estávamos esperançosos porque ele melhorava e estava reagindo, já tinha até previsão de alta, mas na quinta ele piorou de uma hora para outra e, na sexta, faleceu. Meu esposo arrumou as malas e viajou em questão de horas. Não fiquei triste pelo meu sogro, apesar de ser muito ligada à família do meu marido, pois entendemos que ele foi salvo – e isso não é motivo de tristeza. Porém, além do medo de que a carga emocional do momento prejudicasse a saúde do meu marido, somos muito unidos e sempre que ficávamos separados, era um drama para mim (principalmente na TPM).

Mas…o desafio é  reagir imediatamente usando a razão. Toda vez  que batia a tristeza por ele estar longe, eu raciocinava: “esse é um momento dele, eles já perderam a mãe e ele precisa ajudar a única irmã, que é solteira. Os dois precisam desse tempo. E eu tenho um bilhão de coisas para fazer.” E, em vez de ficar pensando abobrinha, me ocupava em fazer o que tinha de ser feito em casa e no trabalho.

Depois, vi fotos de amigas minhas com amigas delas e comecei a ficar triste porque estava sozinha. “Nenhuma amiga tem tempo para mim”, “ninguém lembra que eu existo”, “por que ninguém me convida para nada?” – foram algumas das coisas que passaram pela minha cabeça na hora. Aí, imediatamente, eu me posicionei contra aquela postura ridícula de vítima. Peraí, cidadã. Se for assim, você também não tem tempo para ninguém. Quantos e-mails pessoais têm na sua pasta “responder”, aguardando resposta porque você não conseguiu fazer tempo para todos eles? Você também sabe que não é a criatura mais sociável do universo. E como quer receber sem dar? – Pensar essas coisas já neutralizou a voz da “María la del Barrio” que existia em meu coração rs. Até porque, eu não tenho – e nunca tive – saco para novela mexicana, vamos combinar.

Então, como era sábado, convidei uma amiga para almoçar comigo. Ela já tinha compromisso com a família e não pode ir, mas marcou de me encontrar outro dia (acabou não dando certo, também, porque a chuva nos atrapalhou, mas ela ficou me devendo um passeio haha). Aquela minha atitude colocou um fim no drama que começava a se formar na minha cabeça. Eu não aceitaria me sentir a vítima abandonada.

Resultado: ao contrário da última vez em que meu marido viajou sozinho (e que, lei de Murphy, eu estava na TPM), eu não fiquei enchendo o Whatsapp dele de lamúrias de saudade, e deixando o pobrezinho angustiado e sofrendo. Cuidei de mim, tomei pelo menos 2 litros de água por dia, me alimentei nas horas certas, cuidei da casa, trabalhei, me foquei nas coisas que precisava fazer e o deixei à vontade para vir só quando pudesse vir. Ele ficou mais tranquilo (tudo o que não precisava neste momento era ter de se preocupar com uma esposa histérica, por favor, né?), fez o que era necessário fazer por lá e, desta vez, foi ele que ficou mandando mensagens de saudade e fez tudo bem rápido para voltar logo.

Claro que eu quero que ele volte para eu cuidar dele, mas é incrível como eu não estou sofrendo, nem me torturando, nem me vitimizando. Simplesmente porque escolhi não alimentar os sentimentos que me colocam para baixo. Quando percebo um deles vindo, raciocino e mato antes que nasça e dê filhotes. Agora meu marido vai chegar e encontrar uma esposa forte para ajudá-lo a se manter firme na fé e a superar essa fase da melhor maneira possível. E pronta para mimá-lo bastante. Aproveitei também para comprar um colchão novo e vamos nos livrar das dores nas costas. Usei bastante minha Agenda Godllywood para organizar meus dias e conseguir dar conta de tudo (porque meu esposo me ajuda muito em casa, sem ele aqui, muda toda a rotina e eu tive que me adaptar sem sair do eixo). Nem a TPM foi capaz de me arrastar para a areia movediça do sentimentalismo autodestrutivo rs.Termino esta semana muito mais forte e com certeza me manterei focada nesse desafio for life.

PS: Atenção à foto: Note o brinquedinho do Tiggy perto do meu braço, olhando apavorado para minha tentativa de fazer um olhar dramático…kkkk